As ações do GPA (PCAR3), grupo responsável pela bandeira Pão de Açúcar, dispararam nesta segunda-feira (15), após a companhia aprovar a exclusão da cláusula de “poison pill” de seu estatuto social, mecanismo que protegia acionistas minoritários em eventuais investidas de outros acionistas.
A mudança ocorre em meio ao processo de recuperação extrajudicial da companhia e permite que investidores elevem suas participações acima do limite de 25%, sem a obrigação de realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA).
Com isso, as ações PCAR3 encerraram o pregão desta segunda-feira com valorização de 13,55%, cotadas a R$ 1,75.

Efeitos da mudança no GPA (PCAR3)
O mecanismo conhecido como “poison pill” costuma ser utilizado para dificultar tomadas de controle consideradas hostis, preservando a estrutura acionária das companhias. Com a aprovação da proposta, essa barreira deixa de existir no GPA.
Dessa forma, a família Coelho Diniz, que atualmente detém 24,6% da varejista, poderá ampliar sua participação na companhia, por exemplo. Além disso, a medida também abre espaço para a venda das ações que o grupo francês Casino Group ainda possui na empresa.
No entanto, em março, os acionistas haviam rejeitado uma proposta semelhante para retirar a cláusula do estatuto. Segundo o mapa de votação da época, os votos contrários vieram justamente da família controladora e de Silvio Tini, outro acionista relevante do grupo.
Em paralelo, também foi aprovada a alteração do limite de capital autorizado da companhia. Com isso, o capital social do GPA poderá ser ampliado mediante deliberação do conselho de administração, sem necessidade de reforma estatutária, até o limite de R$ 5,78 bilhões.
Recuperação extrajudicial
Ainda em março, o GPA (PCAR3) entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas. A estratégia da companhia não envolve recorrer à Justiça, mas sim negociar diretamente com os credores a reestruturação dos passivos financeiros.
Como parte desse processo, a varejista propõe converter parte dessas dívidas em participação acionária futura da companhia.
Segundo o GPA, cerca de R$ 1,13 bilhão dessas obrigações poderá entrar nessa estrutura por meio de debêntures conversíveis, títulos de dívida que futuramente podem ser transformados em ações da empresa.
A exclusão da cláusula “poison pill” era considerada uma etapa importante para viabilizar o processo. Isso porque os principais credores dificilmente aceitariam converter dívidas em ações caso fossem automaticamente obrigados a lançar uma OPA para aquisição integral da companhia.
Entre os credores envolvidos estão instituições como Itaú, HSBC e Casas Bahia, empresa que no passado integrou o mesmo grupo controlador da bandeira Pão de Açúcar.
Ademais, para investidores que buscam decisões mais estratégicas em ações e ativos brasileiros, as carteiras recomendadas da Orion Research seguem como uma alternativa relevante de acompanhamento.











