De acordo com Gustavo Asdourian, gestor da Guardian Real Estate, os terrenos pertencentes ao fundo imobiliário GARE11, atualmente ocupados por lojas do Pão de Açúcar, vêm despertando o interesse de incorporadoras interessadas no desenvolvimento de empreendimentos residenciais e comerciais.
As áreas em questão estão localizadas em endereços relevantes de São Paulo (SP), como as regiões da Avenida Angélica e da Avenida Abílio Soares.
Para Asdourian, essa movimentação pode representar uma monetização adicional dos ativos, ampliando o leque de alternativas para geração de valor aos cotistas, à medida que as negociações avancem.
Além disso, essas possíveis operações podem destravar receitas extraordinárias, além da renda de locação, criando um “pipeline” de desenvolvimento que favorece o desempenho do GARE11 no médio prazo, especialmente em meio ao processo de reestruturação do Grupo Pão de Açúcar (GPA).

Recuperação extrajudicial do GPA
Em 10 de março de 2026, o Grupo Pão de Açúcar protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais.
Segundo a companhia, o objetivo não é judicializar o processo, mas sim negociar diretamente com os credores, buscando uma reestruturação mais ágil e menos burocrática.
Esse formato tende a ser mais rápido e menos custoso do que uma recuperação judicial tradicional, já que se baseia em acordos voluntários para reorganização dos passivos.
Impactos para o GARE11
Em relação ao GARE11, a Guardian destacou que não há impactos diretos neste momento, uma vez que o processo envolve apenas dívidas não operacionais do GPA. Dessa forma, obrigações do dia a dia, como pagamentos de aluguel, fornecedores e salários, seguem fora da renegociação.
Ademais, Asdourian também reforçou a mitigação de riscos. “Os aluguéis estão sendo recebidos normalmente. O aluguel caiu, tudo certo”, afirmou, em referência aos ajustes contratuais já realizados com a rede.
Segundo o gestor, a aquisição dos ativos já considerava um cenário mais desafiador para o GPA, o que levou a uma estruturação mais conservadora. “Escolhemos os melhores pontos justamente para que, caso houvesse algum problema, estivéssemos em posição segura”, explicou o gestor.
Mudança no portfólio
Após a migração para lojas urbanas, o GARE11 passou por uma mudança estrutural relevante em seu portfólio. Anteriormente, fundos imobiliários eram majoritariamente compostos por galpões logísticos, ativos de maior porte, com tickets entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões, e menor liquidez.
No entanto, com a nova estratégia, o fundo ganhou mais flexibilidade e liquidez, facilitando a reciclagem de ativos. “A venda recorrente é algo que fazemos todo ano e hoje está muito mais fácil agregar valor ao investidor”, destacou o gestor.
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