O Ibovespa (Ibov) manteve o desempenho negativo observado na sessão anterior e encerrou esta terça-feira (16) em queda, com a baixa do petróleo e pela cautela dos investidores diante das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, com a chamada “Super-Quarta”.
O movimento ocorre em um momento em que os bancos centrais das duas maiores economias do continente anunciam, simultaneamente, suas decisões sobre as respectivas taxas básicas de juros.
Diante desse cenário, o principal índice da Bolsa brasileira (B3) fechou o pregão com recuo de 0,47%, aos 169.611 pontos.
Em contrapartida, o dólar à vista (USD/BRL) registrou valorização de 0,46%, sendo negociado a R$ 5,0843 por volta das 17h10 (horário de Brasília), mesmo com o alívio recente nas tensões geopolíticas internacionais.
O desempenho contrasta com o movimento da moeda norte-americana no exterior. No mesmo período, o DXY, índice que mede a força do dólar frente a uma cesta global de moedas, incluindo euro e libra, operava em leve queda de 0,06%, aos 99,568 pontos.

Ibovespa na Super-Quarta
No cenário doméstico, o mercado concentrou suas atenções nas decisões do Banco Central do Brasil, que realiza mais uma reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), o que influenciou o Ibovespa nesta Super-Quarta.
Os investidores passaram a precificar um possível último corte da taxa Selic dentro do atual ciclo de flexibilização monetária iniciado em março. Segundo as opções monitoradas pelo mercado, havia 66,8% de probabilidade de redução de 25 pontos-base, levando a taxa de 14,50% ao ano para 14,25% ao ano.
Segundo o economista-chefe da XP, Caio Megale, o cenário ainda exige cautela por parte da autoridade monetária.
“Choques globais de oferta persistem mesmo com a queda recente nos preços do petróleo, a atividade doméstica reacelerou em meio a medidas de estímulo do governo, e a taxa de câmbio parou de apreciar”, afirmou Megale.
Megale ainda destacou que o Copom provavelmente evitará indicar explicitamente o fim do ciclo de cortes, mas deve retirar sinais mais claros sobre novos movimentos imediatos. A decisão oficial será divulgada após as 18h30.
O que movimenta o dólar?
Assim como no Brasil, os investidores internacionais aguardam a decisão do Federal Reserve (Fed), equivalente ao Banco Central dos Estados Unidos.
A expectativa majoritária é pela manutenção dos juros norte-americanos entre 3,50% e 3,75% ao ano, na primeira decisão comandada por Kevin Warsh.
Perto do fechamento dos mercados, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 99,4% de probabilidade de manutenção da taxa.
Acordo entre EUA e Irã
Além do cenário monetário, os investidores seguiram atentos às movimentações geopolíticas no Oriente Médio. Nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o memorando firmado com o Irã deixa claro que o país persa não poderá desenvolver armas nucleares.
No último domingo (14), Washington e Teerã já haviam anunciado um acordo provisório para reduzir as tensões regionais, com assinatura definitiva prevista para sexta-feira (19).
O pacto prevê a extensão do cessar-fogo anunciado em abril por mais 60 dias, além da reabertura integral do estratégico Estreito de Ormuz.
Diante desse cenário, o contrato mais líquido do petróleo Brent para agosto fechou em forte queda de 5,06%, a US$ 78,96 por barril, na Intercontinental Exchange, marcando a primeira vez desde março que o commodity encerra abaixo dos US$ 80.
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