Após acumular perdas nos quatro pregões anteriores, o Ibovespa (Ibov) encerrou a sessão desta sexta-feira (05) novamente em queda. Assim, o principal índice da Bolsa brasileira (B3) registrou a oitava semana consecutiva no vermelho, marcando a maior sequência negativa desde o Plano Real, em 1994.
No fechamento do pregão, o Ibovespa recuou 0,77%, aos 169.019 pontos. Para comparação, no início da semana, o indicador havia encerrado o pregão aos 172.197 pontos, o que representa uma desvalorização acumulada de aproximadamente 1,85% no período.

Saída de estrangeiros pressiona a B3
Entre os fatores apontados para o desempenho negativo do índice está a redução do fluxo de capital estrangeiro, movimento que reverte parcialmente a entrada de recursos observada no início do ano.
Anteriormente, esse fluxo ajudou a sustentar a trajetória que levou o Ibovespa ao recorde nominal histórico de 198 mil pontos, registrado em 14 de abril.
De acordo com dados da B3, investidores estrangeiros retiraram R$ 14,91 bilhões do mercado brasileiro em maio, representando a maior saída líquida desde março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19.
Segundo estrategistas da XP, parte desse movimento está relacionado à mudança de preferência dos investidores globais.
“O EWZ (ETF de Brasil) se descolou do EEM (ETF de Mercados Emergentes), à medida que os fluxos de investidores migraram para a Ásia emergente, principalmente Coreia do Sul e Taiwan“, escreveram em relatório.
A instituição ressaltou ainda que mercados asiáticos passaram a concentrar maior atenção diante da demanda relacionada ao setor de tecnologia e semicondutores.
“Enquanto o Brasil caiu em maio, o KOSPI (índice da Coreia do Sul) subiu mais 26% e Taiwan avançou 16%, à medida que a escassez de memória e a demanda por semicondutores se tornaram o tema central para os investidores”, acrescentaram.
Além disso, a XP destacou o impacto dos juros sobre a renda variável. “À medida que as expectativas de inflação sobem, uma taxa terminal da Selic mais alta é precificada pelo mercado”.
Liderança nas perdas do Ibovespa
Entre as maiores perdas do período, a Petrobras (PETR3; PETR4), que possui cerca de 12% de participação no Ibovespa, registrou a maior redução em valor de mercado. Entre abril e junho, a estatal perdeu aproximadamente R$ 85 bilhões em capitalização.
Na sequência aparece o Itaú (ITUB4), responsável por cerca de 8% da composição do índice, com redução estimada em R$ 78,6 bilhões em valor de mercado no mesmo intervalo.
No total, as companhias que integram o Ibovespa perderam cerca de R$ 778 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Alos Ayta divulgado nesta sexta-feira.
Para investidores que acompanham oportunidades em ações e diferentes cenários macroeconômicos, as carteiras recomendadas da Orion Research podem auxiliar na identificação de ativos alinhados a diferentes estratégias de investimento. Confira clicando aqui!












