O dólar à vista encerrou o pregão desta quarta-feira (17) em alta frente ao real, após os investidores reagirem à primeira coletiva de imprensa de Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve (Fed), além da decisão de política monetária dos Estados Unidos sobre os juros.
Conforme esperado pelo mercado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) decidiu manter a taxa básica de juros norte-americana no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, sem alterações na reunião.
Segundo dados da ferramenta FedWatch, do CME Group, 99,6% dos agentes financeiros já projetavam a manutenção dos juros antes mesmo da divulgação oficial da decisão.
Diante desse cenário, o dólar à vista (USD/BRL) encerrou as negociações cotado a R$ 5,1077, registrando alta de 0,41% no dia.
Em paralelo, o DXY, índice que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta global composta por moedas como euro e libra esterlina, avançou 0,92%, alcançando 100,457 pontos.

Radar dos investidores
Ao longo do pregão, investidores acompanharam atentamente não apenas a decisão do banco central norte-americano, mas também as primeiras sinalizações dadas por Kevin Warsh no comando da autoridade monetária.
Segundo a autoridade monetária, a economia dos Estados Unidos continua apresentando expansão em ritmo sólido, mesmo diante das incertezas provocadas pelo cenário geopolítico no Oriente Médio.
O comunicado destacou ainda a força dos investimentos privados, avanços de produtividade e a resiliência do mercado de trabalho norte-americano, com desemprego estável e criação consistente de vagas acompanhando o crescimento da força de trabalho.
Em termos inflacionários, o Fed reforçou que a inflação permanece acima da meta oficial de 2% ao ano, pressionada principalmente por choques de oferta e aumentos de preços em setores específicos, como energia.
Ademais, a decisão desta quarta-feira foi tomada de forma unânime entre os membros do comitê.
Fed eleva estimativa sobre juros
Para 2026, o Federal Reserve (Fed) elevou sua estimativa de inflação medida pelo índice PCE (índice de gastos com consumo). A projeção passou de 2,7% para 3,6% no indicador cheio, enquanto o núcleo da inflação avançou de 2,7% para 3,3%.
Em relação ao crescimento econômico, o Fed reduziu apenas marginalmente a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB), que caiu de 2,4% para 2,2%. Já a taxa de desemprego projetada foi revisada para baixo, passando de 4,4% para 4,3%.
Outro fator que pressionou o mercado cambial foi a atualização do chamado dot plot, gráfico que reúne as projeções individuais dos dirigentes do Fed sobre a trajetória futura dos juros.
A nova mediana das projeções passou a indicar uma taxa de juros de 3,8% ao final de 2026, acima dos 3,4% projetados anteriormente em março. Para 2027, a projeção também foi elevada, passando de 3,1% para 3,6%.
Atualmente, oito dirigentes projetam manutenção dos juros no atual patamar até o final deste ano, sem qualquer corte. Outros três membros defendem uma alta adicional de 0,25 ponto percentual, enquanto cinco integrantes projetam aumento de 0,50 ponto percentual ainda em 2026.
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