A chamada “Super Quarta”, quarta-feira (29) em que coincidem as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, foi marcada por movimentos distintos. Enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por um corte na taxa básica de juros (Selic), o Federal Reserve (Fed) manteve uma postura mais conservadora.
No Brasil, o Copom decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.), levando a taxa de 14,75% para 14,50% ao ano. A decisão foi unânime e veio em linha com as expectativas do mercado.
Em comunicado, o Copom afirmou que o ajuste “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”. repetindo a sinalização da reunião anterior e reforçando a continuidade do processo de calibração da política monetária.

Copom reduz taxa Selic
Apesar do corte, o movimento já era amplamente esperado pelos investidores, que seguem atentos às pressões inflacionárias globais, especialmente diante da alta do petróleo em meio aos conflitos no Oriente Médio.
Segundo o Copom, há sinais de que a política monetária já vem impactando a atividade econômica, abrindo espaço para ajustes graduais no ritmo de cortes. Ainda assim, a autoridade reforça que os próximos passos permanecem condicionados à evolução dos dados.
Com isso, o Comitê indicou que busca manter a taxa em um nível compatível com a convergência da inflação à meta, sem ignorar o aumento das incertezas no cenário internacional.
O documento também destacou que o ambiente externo segue desafiador, citando a indefinição sobre a duração e os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, fator que tem pressionado tanto as condições financeiras globais quanto os preços de commodities.
Para eles, o cenário “exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.
Fed mantém a taxa de juros
Já nos Estados Unidos, diferente do Copom no Brasil, o Fed decidiu manter a taxa de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, prolongando a pausa no ciclo monetário iniciado no fim de 2025.
A decisão também veio em linha com as projeções do mercado e reforça a estratégia da autoridade monetária de manter a política em patamar restritivo por mais tempo. O comunicado não trouxe sinalizações claras de cortes no curto prazo, deixando espaço limitado para eventuais reduções apenas a partir de 2026.
Essa reunião pode marcar uma das últimas sob a presidência de Jerome Powell, o que adiciona um componente adicional de atenção por parte dos investidores.
Apesar da decisão consensual, o FOMC voltou a registrar divergências internas. O único voto dissidente foi de Stephen Miran, que defendeu um corte de 0,25 ponto percentual.
Além disso, parte dos membros apoiou a manutenção dos juros, mas resistiu à inclusão de um viés de baixa no comunicado, indicando uma postura mais cautelosa dentro do comitê.
Com decisões divergentes entre Brasil e Estados Unidos, o cenário global de juros segue exigindo leitura mais estratégica dos investidores. Assim, para entender como se posicionar diante desse ambiente, vale acompanhar as carteiras recomendadas da Orion Research. Clique aqui e confira!













