O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) a indicação de Kevin Warsh para o cargo de presidente do Federal Reserve (Fed), o Banco Central (BC) norte-americano, em substituição a Jerome Powell. A mudança está prevista para ocorrer em maio deste ano.
“Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor”, escreveu Trump em sua rede social, Truth Social.
No entanto, a decisão foi recebida com cautela pelos investidores. Pela manhã, o ETF EWZ, que representa ações brasileiras negociadas em Nova York, chegou a cair cerca de 2%. No mesmo período, o Ibovespa (Ibov) recuava 0,2%, aos 182.850 pontos por volta das 11h30 (horário de Brasília). Enquanto o dólar avançava 0,6%, a R$ 5,22.
Além disso, nos Estados Unidos, os índices futuros de Wall Street operaram em queda no pré-mercado, estendendo o tom negativo ao pregão regular. O S&P 500 abriu com recuo de 0,5%, o Nasdaq caía 0,6% e o Dow Jones iniciou o dia com baixa de 0,3%.
Novo presidente do Fed
Em seu currículo, Kevin Warsh já integrou o Federal Reserve como diretor e foi membro do Conselho de Governadores entre 2006 e 2011, período que incluiu a crise financeira de 2008.
Ele participou dos programas de resgate a instituições financeiras e do início das políticas não convencionais de estímulo, como o afrouxamento quantitativo (Quantitative Easing).
Esse mecanismo envolve a compra de títulos do Tesouro e outros ativos pelo Fed, com o objetivo de reduzir a volatilidade do mercado. Ele frequentemente resulta em desvalorização da moeda e estímulo à liquidez.
No entanto, nos últimos anos, Warsh passou a criticar publicamente práticas do banco central, como o tamanho do balanço patrimonial e a manutenção prolongada de políticas monetárias expansionistas. Sinalizando uma visão mais cautelosa sobre o uso de estímulos.
Visão dos especialistas sobre a decisão
Para o economista e sócio da Dom Investimentos, Thiago Calestine, a reação inicial negativa é considerada natural. Segundo ele, “o mercado torce o nariz no curto prazo, mas a médio e longo prazo a escolha tende a ser positiva.” Ele ainda afirma que a indicação de Warsh não deve representar um freio relevante para o mercado brasileiro.
Além disso, Calestine destaca que a confiança dos investidores está relacionada à percepção de que, embora Warsh seja visto como defensor de juros mais baixos, ele não representa um afrouxamento monetário agressivo, como outros nomes cogitados por Trump.
Na mesma linha, a Nomad, empresa brasileira de serviços financeiros, avaliou a indicação como um sinal de credibilidade institucional. Segundo a estrategista-chefe, Paula Zogbi, Warsh “defende cortes de juros, mas é conhecido por ter historicamente uma postura hawkish, o que diminui a visão de risco de captura política total do Banco Central, diferentemente do que Rieder ou Hassett poderiam representar.”
Por fim, William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, afirmou que, entre os candidatos aventados, Warsh foi “o nome mais bem-visto pelo mercado”. Para ele, a experiência e o perfil reformista do indicado pesaram na decisão. “Warsh quer deixar um legado no Fed e já falou diversas vezes em reduzir a burocracia e mudar a forma como o Banco Central atua.”












