O Tellus Healthcare & Mixed-Use, fundo imobiliário fechado de responsabilidade limitada voltado para propriedades dos segmentos de saúde, informou ao mercado que recebeu uma notificação da Oncoclínicas (ONCO3) com intenção de rescindir antecipadamente um contrato de locação atípico na modalidade built-to-suit.
O comunicado foi enviado pela Oncoclínicas em 29 de junho e refere-se à desocupação antecipada do imóvel localizado na Avenida Angélica, no bairro da Consolação, em São Paulo (SP).
No entanto, segundo o fundo, a rede de oncologia já estava com pagamentos de aluguel em atraso quando formalizou o pedido de rescisão.

Fundo nega proposta da Oncoclínicas
Segundo o Tellus Healthcare, o imóvel possui relevância estratégica porque os créditos imobiliários vinculados ao contrato servem de lastro para os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) da 157ª emissão da Riza Securitizadora.
Diante disso, o fundo informou que não aceitou os termos propostos pela locatária, que, por sua vez, também não renunciou a nenhum dos direitos previstos contratualmente.
A gestão afirmou que continuará exigindo o cumprimento integral das obrigações previstas no contrato, incluindo o pagamento de eventual multa rescisória, dos valores em aberto e das garantias vinculadas à locação.
Além disso, destacou possuir capacidade para cumprir todas as obrigações legais e contratuais assumidas, especialmente aquelas relacionadas à securitizadora e aos investidores detentores dos CRIs.
Oncoclínicas negocia reestruturação
O pedido de rescisão ocorre em meio às negociações para a reestruturação financeira da Oncoclínicas, cuja dívida soma cerca de R$ 4 bilhões, valor próximo ao endividamento líquido registrado pela companhia no primeiro trimestre de 2026 (1T26), quando reportou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões.
Segundo a companhia, um plano de recuperação extrajudicial segue em discussão. No entanto, as assembleias de debenturistas previstas nesta semana não foram instaladas por falta de quórum.
A Oncoclínicas também reconheceu que as dificuldades de caixa afetaram o abastecimento de medicamentos em parte de sua operação, embora afirme que o problema não atingiu toda a rede.
Exposição ao Banco Master
Parte da crise financeira da companhia está relacionada à exposição ao Banco Master. Durante as investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição, a Oncoclínicas mantinha R$ 478 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco, posteriormente submetido à liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central (BC).
Como parte da estratégia para recuperar esses recursos, a empresa busca exercer uma opção de compra de participações acionárias detidas por fundos ligados ao Banco Master.
Ao mesmo tempo, a companhia afirma seguir negociando seu passivo financeiro e buscando reforçar sua estrutura de capital, enquanto permanece em aberto o impasse com o Tellus Healthcare sobre o futuro do contrato do imóvel localizado na Avenida Angélica.
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