Em meio à liquidação extrajudicial do Banco Master e da Will Financeira, o Banco Central (BC) avalia promover uma revisão parcial das regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A sinalização foi feita pelo diretor de Regulação e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, Gilneu Vivan, que afirmou que o tema deve constar entre as entregas previstas para 2026 ou início de 2027.
A discussão ocorre após episódios recentes que colocaram o FGC no centro das atenções do mercado financeiro, em razão do elevado volume de garantias acionadas em processos de liquidação bancária.
Liquidações extrajudiciais
Em novembro de 2025, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, no âmbito da Operação Zero Compliance. A decisão foi motivada pelo agravamento da situação financeira da instituição, falta de recursos para honrar compromissos e descumprimento de normas do sistema bancário, além de determinações do próprio regulador.
Já em janeiro de 2026, também determinou a liquidação da Will Financeira, controlada pelo Banco Master e responsável pelo Will Bank. A medida foi tomada após a deterioração da situação financeira e a incapacidade de pagamento de dívidas.
Com isso, o FGC passou a ser um dos principais pontos de atenção do mercado, diante do impacto financeiro das garantias acionadas. Até o momento, já foram registrados mais de R$ 40 bilhões em pagamentos relacionados às duas instituições liquidadas.
Possíveis mudanças de regras do FGC
Durante evento promovido nesta segunda-feira (09) pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Gilneu Vivan destacou que a agenda regulatória do BC deve incluir novas regras para a distribuição de títulos e normas adicionais voltadas à prevenção de fraudes envolvendo o FGC.
O diretor também citou o caso do Banco Master como um aprendizado institucional, afirmando que o processo “demorou mais do que gostaria”, em relação ao tempo entre os primeiros questionamentos e a decretação da liquidação extrajudicial.
Além disso, Vivan mencionou que o Banco Central avalia uma revisão de questões tarifárias, embora não tenha detalhado quais pontos específicos poderão ser alterados nem o alcance das mudanças.
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