O dólar à vista (USD/BRL) opera em alta ante o real nesta sexta-feira (14), após a redução de investimentos de estrangeiros na Bolsa brasileira (B3). Com o movimento, a moeda brasileira já registra o pior desempenho entre as principais 33 moedas globais.
Por volta das 15h40 (horário de Brasília), a divisa norte-americana avançava 0,72% em relação ao real, cotada a R$ 5,22. No acumulado da semana, o dólar já apresenta valorização de 3,11%.

O que movimenta o real e o dólar?
O desempenho do real e do dólar reflete a cautela com o cenário eleitoral. Nesta sexta-feira, as atenções estão voltadas à divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto para candidatos à Presidência, conduzida pela Quaest e encomendada pela TV Globo, prevista para o final do dia.
Para a CEO da Magno Investimentos, Olívia de Brás, “o que aparece nos preços neste momento é um prêmio crescente de incerteza, especialmente sobre a condução fiscal e econômica a partir de 2027.“
A executiva acrescenta que “há uma diferença importante entre antecipar o resultado de uma eleição e começar a cobrar pelo desconhecido. O mercado não precisa saber quem vence para saber que a dúvida custa dinheiro.”
Na mesma linha, o Bank of America (BofA) destaca que “o mercado deve continuar acompanhando de perto o resultado das eleições, já que ele poderá influenciar os rumos da política fiscal nos próximos anos.“
Curva de juros também pressiona
Além do risco eleitoral, o real também é pressionado pela abertura da curva de juros futuros, na esteira do avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.
Na visão do analista da Daycoval Corretora, Gabriel Mollo, “a curva de juros continua refletindo mais o risco fiscal e eleitoral do que o alívio observado na inflação norte-americana e no petróleo. Os vencimentos intermediários e longos sobem, enquanto a ponta curta permanece praticamente estável diante da expectativa de continuidade do processo de flexibilização monetária em setembro.”
Durante a sessão, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançou 7 pontos-base na máxima, a 13,820%, ante 13,750% do fechamento anterior.
Em paralelo, a taxa do DI para janeiro de 2029 saltou 22,5 pontos-base, para 14,540%, ante 14,245%. Já o DI para janeiro de 2036 bateu a máxima de 14,885%, com um salto de 20 pontos-base sobre o ajuste anterior de 14,615%.
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