Nesta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual (p.p), passando de 14,25% para 14% ao ano, dando continuidade ao ciclo de flexibilização iniciado em junho.
Embora a decisão tenha sido amplamente esperada pelo mercado, a analista da Empiricus Research, Laís Costa, destacou que o comunicado divulgado pelo Copom trouxe menos sinalizações sobre os próximos passos da política monetária do que o documento da reunião anterior.

Banco Central adota tom cauteloso
No comunicado divulgado após a decisão, o Banco Central (BC) adotou uma postura mais cautelosa e evitou indicar qual deverá ser o próximo movimento dos juros.
O Comitê reforçou que a condução da política monetária continuará dependente da evolução dos indicadores econômicos, ao mesmo tempo em que reconheceu sinais de desaceleração gradual da atividade econômica e melhora da inflação corrente.
“Ele manteve um tom mais sóbrio, deu menos informações, mas reconheceu alguns pontos que a gente também esperava que ele falasse”, afirmou Laís Costa.
Para a analista, a retirada do trecho que mencionava possíveis pausas ao longo do ciclo chamou atenção. “Na minha opinião, isso deixa o comunicado flexível, sinalizando não necessariamente ser uma pausa. Por isso, a gente mantém aqui o nosso call de mais um corte de 25 na reunião de setembro”, disse.
Na mesma linha, o economista da XP, Rodolfo Margato, avaliou que a mudança na leitura sobre a economia acompanha os dados mais recentes. “A gente chama atenção para essa mudança na caracterização de atividade, saindo de aceleração no último comunicado para sinais de moderação no documento divulgado hoje.”
O que diz o Copom?
Segundo o comunicado, a inflação apresentou melhora no curto prazo, embora permaneça acima da meta de 3%.
Por esse motivo, o Copom manteve um balanço de riscos assimétrico para cima, destacando fatores como a desancoragem das expectativas de inflação, além de riscos relacionados ao petróleo, câmbio e possíveis choques climáticos.
O ambiente internacional também continua sendo monitorado pelo Banco Central, especialmente diante das incertezas envolvendo os conflitos no Oriente Médio e a condução da política monetária nas principais economias do mundo.
Para Rodolfo Margato, apesar da melhora recente, o cenário ainda inspira cautela. “Ainda que reconhecendo uma melhora no cenário de curto prazo, há preocupação ainda com horizontes mais longos e alguns fatores de pressão”, disse.
Além disso, o Copom manteve em 3,2% sua projeção para a inflação no primeiro trimestre de 2028, horizonte considerado relevante para a política monetária. Embora permaneça acima da meta, a estimativa segue próxima do objetivo perseguido pela autoridade monetária.
Segundo Laís Costa, depois de setembro, a trajetória dos juros dependerá principalmente das definições envolvendo a política fiscal. “Hoje a gente trabalha com mais um corte e, depois, com a manutenção dos juros nesse patamar, que seria de 13,75% até o final do ano. Mas o cenário hoje é muito binário”, afirmou.
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