As ações da Casas Bahia (BHIA3) voltaram a operar em alta no último pregão de agosto e chegaram a disparar mais de 70% durante a sessão. A performance positiva ocorre após a Justiça de São Paulo conceder a antecipação dos efeitos do pedido de recuperação judicial (RJ), com a suspensão de ações judiciais e cobranças de dívidas por credores durante 180 dias.
Dessa forma, as ações da Casas Bahia encerraram as negociações desta segunda-feira (31) com valorização de 65%, cotadas a R$ 0,66. Como os papéis são negociados na casa dos centavos, pequenas oscilações no preço podem resultar em variações percentuais expressivas.
Em decisão tomada na sexta-feira (28), o Juízo da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo determinou a suspensão, entre 19 de agosto e 15 de fevereiro de 2027, de “todas as ações e execuções contra as recuperandas (empresas do grupo)”, período conhecido como stay period.

Stay period da Casas Bahia
O stay period é um mecanismo de proteção previsto na legislação para empresas em recuperação judicial, com o objetivo de conceder tempo para a companhia renegociar seus débitos com os credores e reorganizar sua situação financeira, suspendendo temporariamente as cobranças.
No entanto, para que a recuperação judicial seja efetivamente processada, é necessário o deferimento do pedido pela Justiça. No caso da Casas Bahia, a juíza Taina Maria Leonardo de Oliveira ainda não aprovou, neste momento, o processamento da recuperação judicial.
Assim, foram determinados trabalhos periciais para verificar a situação financeira da varejista. A perícia ficará a cargo da ACFB Administração Judicial, que terá 30 dias para apresentar o laudo.
Por outro lado, a Vara de Falências paulista atendeu ao pedido de antecipação dos efeitos, considerando os possíveis danos financeiros decorrentes do que a empresa classificou como uma “corrida de credores”.
Segundo a juíza, mesmo com o processo ainda não deferido, a legislação autoriza “expressamente a concessão de tutela de urgência antecedente para suspender execuções e atos de constrição antes da decisão formal de processamento”. Ela ressaltou ainda que “o perigo de dano revela-se concreto e atual”.
Recuperação judicial da varejista
O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia ocorre após a empresa apresentar prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre (2T26), contra uma perda de R$ 555 milhões registrada no mesmo período do ano anterior.
Segundo fontes do mercado, a decisão poderá colocar à prova o apetite pelo risco de crédito no setor de varejo brasileiro, com possíveis perdas para seguradoras de crédito comercial e fornecedores.
De acordo com a Casas Bahia, o resultado foi impactado em R$ 9,1 bilhões por eventos não recorrentes, como contratos não performados, baixa de ativos, gastos com reestruturação e Imposto de Renda (IR) diferido.
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