As ações da Casas Bahia (BHIA3) despencam nesta terça-feira (25), dando continuidade à sequência de quedas iniciada em 17 de agosto, após a divulgação do balanço do segundo trimestre (2T26) e o pedido de recuperação judicial (RJ).
Por volta das 14h30 (horário de Brasília), os papéis BHIA3 apresentavam queda de 2,44%, valendo R$ 0,40. No acumulado de agosto, as ações da varejista já registram desvalorização de 48%.
A entrada da Casas Bahia com o pedido de recuperação judicial ocorre em meio a um prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, contra uma perda de R$ 555 milhões registrada no mesmo período do ano anterior.

Envolvimento de terceiros
De acordo com fontes do mercado, a recuperação judicial da Casas Bahia poderá colocar à prova o apetite pelo risco de crédito no setor de varejo brasileiro, com possíveis perdas para seguradoras de crédito comercial e fornecedores.
Documentos judiciais e listas de credores consultados pela The Insurer mostram que a reestruturação da companhia envolveu centenas de credores, incluindo grandes bancos, fabricantes e seguradoras. O movimento evidencia o amplo alcance da varejista na cadeia de suprimentos de bens de consumo do Brasil.
Diante desse cenário, seguradoras de crédito comercial podem enfrentar pedidos de indenização caso os recebíveis dos fornecedores estejam cobertos por seguro e existam apólices destinadas a compensar eventuais perdas.
Entre as seguradoras citadas por possível exposição a fornecedores da Casas Bahia estão as internacionais Allianz Trade, Coface e Atradius, além de companhias com operação local, como AIG, Chubb, Avla e Cesce.
Casas Bahia não é a única
A situação da Casas Bahia trouxe aos investidores lembranças sobre o caso das Lojas Americanas (AMER3), que entrou em recuperação judicial em 2023, em um processo considerado o maior calote corporativo da história do Brasil até hoje.
Na ocasião, a Americanas entrou com o pedido após revelar inconsistências contábeis superiores a R$ 20 bilhões, posteriormente estimadas em cerca de R$ 25 bilhões.
A Atradius informou, em relatório de 2025, que fornecedores da Americanas tinham aproximadamente US$ 740 milhões a receber e que os sinistros segurados custaram às seguradoras de crédito cerca de US$ 370 milhões.
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