O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) optou, nesta quarta-feira (4), por manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano. A decisão ocorre após as eleições presidenciais e marca uma pausa na sequência de cinco cortes consecutivos.
O último corte na Selic havia ocorrido em setembro, quando o Banco Central reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual (p.p.), passando de 14,00% para 13,75% ao ano.
Embora represente uma mudança em relação às decisões anteriores, a manutenção da taxa nesta quarta-feira já era amplamente esperada pelo mercado financeiro, que apostava na interrupção do ciclo de cortes diante do aumento das incertezas fiscais e da volatilidade do mercado após as eleições.

Pressão sobre a taxa Selic
De acordo com o Copom, a decisão de manter a Selic “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”.
Na última semana, os mercados domésticos sofreram um abalo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que frustrou as expectativas dos investidores de uma solução rápida para os problemas orçamentários do Brasil sob um governo de seu rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL). O mercado reagiu em meio às dúvidas sobre os planos fiscais de Lula.
“Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, destacou o Comitê.
Além do cenário eleitoral, a escalada do conflito no Oriente Médio, que mantém o preço do petróleo em torno de US$ 100 por barril, e os impactos do El Niño sobre as safras de alimentos também adicionam pressão às expectativas inflacionárias.
Segundo o comunicado do Banco Central, o ambiente externo tornou-se mais adverso em função do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, com impactos altistas sobre os preços do petróleo e de seus derivados, além da política monetária mais restritiva nas economias avançadas.
Dessa forma, a autoridade monetária avalia que os riscos para a inflação continuam mais elevados que o normal e apresentam assimetria altista, ou seja, com maior peso para fatores capazes de pressionar os preços para cima.
Diante do aumento significativo das incertezas, das expectativas de inflação mais elevadas e da desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica, o BC afirma que o cenário é “desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”.
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