O mercado está em clima de expectativa nesta quarta-feira (18), devido à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), com os investidores dividindo opiniões sobre o futuro da taxa básica de juros (Selic).
No total, 61% dos acionistas acreditam na alta de 0,25 ponto percentual (p.p.) da taxa, enquanto outros 37,50% veem uma manutenção, segundo as Opções de Copom da bolsa brasileira (B3) — instrumento que permite a negociação, de forma segura e transparente, da variação da Taxa Selic.
Em maio de 2025, o Comitê elevou a Selic para 14,75% ao ano, sendo o maior patamar em 20 anos. Porém, não deu nenhuma indicação dos próximos passos, o que aumenta a cautela do mercado diante da incerteza.
A taxa é o principal indicador para todas as taxas de juros do Brasil, servindo para o Banco Central (BC) controlar a inflação, além de ter um peso para o consumidor quando se trata de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.
Por que esperar uma manutenção?
De acordo com os dados coletados pela Reuters, de 47 projeções para a Selic, 30 esperam manutenção em 14,75%, e 17 esperam alta para 15%.
Para o Itaú BBA, que defende a manutenção dos juros, afirma: “A decisão [do Copom] deve refletir o estágio avançado do ciclo e a perspectiva de que os efeitos defasados e cumulativos da política monetária se tornem mais evidentes, em um ambiente de incerteza acima do usual”.
Já a equipe macro da XP Investimentos, também seguindo a linha da manutenção, diz que “o fluxo de dados e notícias econômicas desde a última reunião do Copom foi ambíguo”, com a inflação demonstrando surpresas positivas, valorizando o real e gerando deflação relevante no atacado.
Entretanto, a economia também continua aquecida, o mercado de trabalho apertado, e o preço do petróleo em alta, puxado pelos conflitos no Oriente Médio.
O economista-chefe do BBA, Mario Mesquita, também aponta esses sinais mistos do cenário doméstico. O banco diz que a decisão de manter os juros pode ser justificada pelo “avanço no ciclo de aperto, pelos efeitos cumulativos da política monetária e por um ambiente de incerteza acima da média”, caso o BC mantenha uma abordagem dependente de dados e cautelosa.
“A possível decisão do Copom por uma elevação da taxa básica de juros pode ser justificada pelo timing, para que a partir do próximo semestre haja maior espaço para que a taxa seja mantida e posteriormente reduzida, a depender da dinâmica econômica doméstica e internacional”, explica o professor de Economia da ESPM, Alexandre Gaino.
Selic em 15%?
Já, em contraponto, o Goldman Sachs enxerga um risco para a Selic, devido à junção de inflação ainda elevada com uma economia resiliente que justificaria uma alta adicional. “A atividade permanece robusta, o mercado de trabalho apertado, e ainda há estímulo fiscal e creditício em curso”, apontam os economistas Alberto Ramos e Sergio Armella.
O economista-chefe da XP, Caio Megale, acredita que a decisão será apertada, especialmente à luz de parte da comunicação dos membros do Copom.
“Membros do Copom transmitiram sinais mistos nas últimas semanas. Em alguns momentos, o foco era a manutenção dos juros em patamar restritivo por um período prolongado; em outros, o foco era a calibragem da taxa Selic terminal”, afirma Megale. “Se houver alta de juros nesta semana, tende a ser a última do ano. A decisão desta semana parece bem aberta.”, complementa a XP.











