Após divulgar o balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25) e anunciar R$ 8,1 bilhões em proventos, as ações da Petrobras (PETR4) dispararam na sessão do Ibovespa (Ibov) desta sexta-feira (06), liderando os ganhos. Além disso, o papel figura como o mais negociado da Bolsa brasileira (B3).
Durante o pregão, os papéis preferenciais da estatal (PETR4) chegaram a saltar 6%, a R$ 43,12, enquanto as ações ordinárias (PETR3) atingiram máxima intradiária de 6,89%, a R$ 47.
Os papéis também representaram cerca de 14% do giro financeiro da B3 nesta sessão, movimentando aproximadamente R$ 3,5 bilhões.
Com esse desempenho, a Petrobras superou pela primeira vez a marca de R$ 580,1 bilhões em valor de mercado. Anteriormente, em fevereiro de 2024, a companhia havia alcançado R$ 571,4 bilhões, considerado o recorde até então.

4T25 da Petrobras (PETR4)
No 4T25, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 15,6 bilhões, revertendo o resultado negativo do mesmo período do ano anterior, quando havia reportado prejuízo de R$ 16,9 bilhões. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025 (3T25), porém, houve queda de 52,44%, já que naquele período o lucro havia sido de R$ 32,8 bilhões.
Apesar da retração trimestral, a companhia destacou que o desempenho foi sustentado por volumes robustos de vendas e pela dinâmica comercial. “O trimestre refletiu maior volume de petróleo vendido e exportações em nível elevado, além de maiores vendas de derivados no mercado interno”, apontou o relatório.
Alta do petróleo impulsiona
Além dos resultados corporativos, o movimento das ações também foi impulsionado pela forte alta do petróleo no mercado internacional, em meio à escalada das tensões no Irã e aos temores de uma possível crise de abastecimento caso o Estreito de Ormuz seja afetado.
Por volta das 18h10 (horário de Brasília), os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência global, para maio, registravam alta de 8,34%, a US$ 92,55 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. No acumulado da semana, o avanço já ultrapassava 21%.
Em paralelo, os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI), para abril, disparavam 13,81%, a US$ 92,26 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos Estados Unidos. Esse é o maior valor do barril desde abril de 2024.
O conflito envolvendo o Irã completa uma semana nesta sexta-feira (06), sem qualquer sinal concreto de cessar-fogo no curto prazo.
Distribuição de dividendos
Diante do desempenho e do cenário positivo para o petróleo, o Conselho de Administração da Petrobras aprovou a distribuição de R$ 8,1 bilhões em dividendos. No entanto, a proposta ainda será analisada pela Assembleia Geral Ordinária (AGO) da companhia, marcada para 16 de abril.
Caso seja aprovada, os proventos serão pagos em duas parcelas por meio de juros sobre capital próprio (JCP). A primeira parcela será distribuida no dia 20 de maio, no valor de R$ 0,31311454 por ação, enquanto a segunda será paga em 22 de junho, a R$ 0,31311454 por ação.
Para a XP Investimentos, o anúncio trouxe alívio aos investidores, que vinham demonstrando preocupação com o impacto do ciclo de investimentos da companhia sobre o caixa. “Os resultados e os dividendos vieram muito em linha com as nossas estimativas”, afirmaram.
Além disso, a diretoria da estatal também indicou a possibilidade de dividendos extraordinários, caso o nível de caixa permaneça elevado. “Se a gente entender que temos um nível elevado de caixa, a gente adoraria fazer uma distribuição de dividendos extraordinários, desde que a gente tenha certeza que não há impacto na financiabilidade dos nossos projetos”, informou o diretor financeiro (CFO), Fernando Melgarejo.
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