Nesta quarta-feira (14), o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, anunciou o início de um plano de reestruturação financeira de longo prazo, acompanhado de medidas emergenciais para reequilibrar as contas da estatal, que enfrenta uma das piores crises financeiras de sua história, iniciada em 2024.
A primeira fase da operação será estruturada em três eixos principais, incluindo a redução de despesas operacionais e administrativas, a diversificação das fontes de receita, com foco na recuperação da capacidade de geração de caixa e a restauração da liquidez da empresa, visando retomar a competitividade e garantir estabilidade nas relações com colaboradores, clientes e fornecedores.
Entre as medidas está a criação de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), desta vez com alcance mais amplo e baseado em um mapeamento da força de trabalho para identificar setores e regiões com desempenho insatisfatório.
“Esse programa de demissão do corpo voluntário está sendo tratado de forma bem cuidadosa para a gente enxergar onde tem ineficiência, ociosidade e não trabalhar de uma forma linear, de repente perdendo capacidade operacional”, afirmou Rondon.
Segundo o presidente, as alternativas foram definidas após uma análise detalhada do balanço financeiro da estatal, conduzida nos primeiros dias de sua gestão. A avaliação, segundo ele, descarta qualquer discussão sobre privatização neste momento.
Vendas de ativos dos Correios
Os Correios também confirmaram a venda de imóveis osciosos, que deve resultar na entrada de recursos e, consequentemente, na redução dos custos de manutenção desses espaços.
Rondon explica que, será realizada a renegociação de contratos com os principais fornecedores, buscando condições mais vantajosas sem comprometer a segurança jurídica das operações, com o objetivo de aprimorar contratos vigentes.
Empréstimo bilionário
O balanço do segundo trimestre de 2025 (2T25) mostrou prejuízo líquido de R$ 2,64 bilhões, somando-se às perdas de R$ 1,72 bilhão no primeiro trimestre (1T25) e ao déficit de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024. Com isso, o rombo acumulado no primeiro semestre de 2025 já chega a R$ 4,3 bilhões.
Como resposta à crise, os Correios estão negociando um empréstimo de R$ 20 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, para suprir as necessidades de caixa de 2025 e 2026.
A informação foi antecipada pela Folha de S. Paulo, que classificou a operação como uma articulação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para manter a estatal em funcionamento.











