As ações da Suzano (SUZB3) operam na ponta positiva do Ibovespa (Ibov) nesta quinta-feira (5), após a aquisição de parte da companhia americana Kimberly-Clark, dona da Kleenex, sendo uma das maiores movimentações da história recente da companhia.
Às 17h14 (horário de Brasília), os papéis subiam 6,47%, cotados a R$ 52,98.
A compra, no valor de US$ 1,7 bilhão é equivalente a 51% da Kimberly-Clark, com direito de exercer alternativa de compra dos 49% restantes da sociedade a partir do terceiro ano após o fechamento.
Além disso, com a porcentagem, a Kimberly-Clark manterá seus ativos do segmento de “family care” e “professional business” na América do Norte, incluindo algumas joint ventures — parceria entre duas ou mais empresas para realização de um projeto — em mercados que ficaram fora da operação.
De acordo com o comunicado da empresa, “uma nova empresa conjunta será estabelecida para gerir os negócios de fabricação, marketing, distribuição e venda desses produtos”.
Entretanto, a negociação ainda depende da aprovação das autoridades. Caso aprovada, transformará a Suzano na oitava maior player de papel higiênico global, atuando em 22 fábricas de 14 diferentes países, com capacidade de produção de 1 milhão de toneladas anuais. A estimativa é de que a decisão ocorra em 2026.
A união representa um avanço na diversificação de negócios da empresa brasileira, com intuito de reduzir a dependência do ciclo da celulose e aumentar a competitividade. No Brasil, a Suzano já havia finalizado a compra da operação da fabricante há cerca de dois anos, por US$ 175 milhões.
“A operação está alinhada à estratégia de longo prazo da Suzano de crescimento com criação de valor e disciplina financeira, em negócios que tenham escalabilidade e nos quais a Suzano possa alavancar sua competitividade”, afirmou.
Opinião dos analistas sobre o SUZB3
Para especialistas do Citi, o acordo é positivo, já que a Suzano (SUZB3) terá capacidade de aumentar sua diversificação no setor downstream — fase final da cadeia de valor —, onde o segmento de papel tissue tem mais sinergias em termos de fornecimento de fibra de madeira dura, além de um potencial de substituição fibra por fibra, quando comparado ao segmento de embalagens.
Com isso, a empresa pode aproveitar da melhor forma suas fontes de matéria-prima para a produção dos materiais, facilitando e melhorando a performance.
Ainda segundo os analistas, a alavancagem da companhia também deve ficar sob controle, devido ao tamanho e ao momento da negociação, permitindo que o caminho de desalavancagem seja mantido.
“Mesmo assumindo um preço médio de celulose de US$ 600 a tonelada em 2026, veríamos a alavancagem da SUZB pós-transação em 2,7 vezes Ebitda em USD até o final de 2026, em dólar, (estável em relação ao final de 2025, 2,4x sem a transação e em comparação com 3x no 1º trimestre de 2025)”, escreveu o analista do banco, Stefan Weskott.
O Citi tem recomendação de compra para as ações da Suzano (SUZB3).











