O primeiro debate presidencial do segundo turno das eleições, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atual presidente e candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), foi realizado neste domingo (18) e teve impacto limitado sobre o mercado financeiro.
No encontro, houve trocas de acusações e poucas discussões aprofundadas sobre propostas econômicas, sem diálogos suficientes para alterar as expectativas dos investidores.
Em paralelo, novas pesquisas de intenção de voto foram divulgadas nesta segunda-feira (19) e mostram uma disputa apertada entre os candidatos, com Flávio numericamente à frente nos levantamentos da AtlasIntel/Bloomberg e da PoderData/Aya.

Impacto limitado na Bolsa brasileira
Na avaliação do estrategista-chefe da Avenue Securities, William Castro Alves, o debate presidencial não trouxe elementos suficientes para alterar as expectativas eleitorais ou a precificação dos ativos brasileiros.
“O cenário permanece aberto, e os próximos acontecimentos serão importantes para avaliar possíveis mudanças na percepção do eleitorado e dos investidores”, avalia o estrategista.
Na mesma linha, Thiago Salomão, fundador do Market Makers, classificou o debate como um “não evento”. “Foi um debate de baixo nível. Nesse cenário de zero a zero, prevalece quem estava na frente. Foi mais um sinal que acaba sendo positivo para o Flávio Bolsonaro”, afirmou.
A avaliação é de que novas pesquisas, declarações dos candidatos sobre a política econômica e o próximo debate presidencial devem continuar influenciando o mercado financeiro até o segundo turno.
Flávio Bolsonaro à frente de Lula
As pesquisas divulgadas nesta segunda-feira reforçaram a proximidade entre os candidatos, embora apontem vantagem numérica para Flávio Bolsonaro.
No levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, o senador aparece com 49,8% das intenções de voto, contra 47,6% de Lula. Outros 2,6% correspondem a eleitores indecisos ou que declaram voto branco ou nulo.
Considerando apenas os votos válidos, Flávio registra 51,1%, enquanto o atual presidente tem 48,9%. A pesquisa ouviu 4.998 eleitores entre os dias 13 e 18 de outubro, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
Já a pesquisa PoderData/Aya aponta Flávio com 52% dos votos válidos, ante 48% de Lula. No levantamento anterior, divulgado em 16 de outubro, os dois candidatos apareciam numericamente empatados, com 50% cada.
O estudo ouviu 3 mil pessoas entre os dias 16 e 18 de outubro. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, com nível de confiança de 95%.
Falta de propostas
Além da repercussão no mercado, o desempenho dos candidatos no debate também foi avaliado em uma pesquisa qualitativa realizada pelo instituto Travessia, a pedido do Estadão.
Os participantes classificaram o debate como “decepcionante”, “triste”, “vergonhoso” e “infeliz”, destacando a falta de discussões mais aprofundadas sobre os problemas do país.
O levantamento reuniu 12 eleitores, sendo quatro indecisos, quatro que declaravam voto em Flávio e quatro apoiadores de Lula. Por ser uma pesquisa qualitativa com uma amostra reduzida, os resultados não representam estatisticamente o eleitorado brasileiro.
Entre as críticas direcionadas a Flávio, apareceram a falta de respostas a questionamentos e a ausência de explicações mais detalhadas sobre suas propostas. No caso de Lula, os participantes questionaram o excesso de elogios ao próprio governo e a pouca apresentação de medidas para um eventual novo mandato.
A avaliação também identificou que as discussões sobre economia não foram suficientemente aprofundadas. Até a votação, novas pesquisas e manifestações dos candidatos devem continuar movimentando as expectativas.
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