Após a saída de Daniel Stieler da presidência do Conselho de Administração da Vale (VALE3), em 6 de julho, a companhia elegeu, nesta quarta-feira (22), Manuel Lino de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para assumir o cargo.
A decisão foi tomada durante uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE). Apesar de a mudança ter gerado ruídos no mercado nas últimas semanas, a escolha foi considerada positiva para a companhia, segundo Rui Hungria, analista da Empiricus.
Diante desse cenário, por volta das 15h40 (horário de Brasília), as ações VALE3 avançavam 3,83%, negociadas a R$ 75,01.

Mudança no conselho
Mesmo antes da renúncia de Daniel Stieler, já estava prevista a realização da AGE que votaria sua destituição, após pedido apresentado pela Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.
Segundo Rui Hungria, esse movimento aumentou a preocupação dos investidores quanto à possibilidade de interferência política na administração da mineradora. No entanto, o analista avalia que o perfil de Manuel Oliveira contribui para reduzir esses receios.
O executivo atuava como conselheiro independente da Vale desde 2021 e acumula experiência em grandes companhias globais do setor de mineração, como Anglo American e De Beers. Na votação, ele disputou a presidência do conselho com Marcelo Gasparino, atual vice-presidente do colegiado.
Para Hungria, a eleição de Manuel Oliveira ocorre em um momento em que a Vale busca reforçar a confiança dos investidores por meio de melhorias operacionais consistentes, evidenciadas na prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26), divulgada na terça-feira (21).
Prévia do 2T26 da Vale
Na atualização operacional, a Vale informou que a produção de minério de ferro cresceu 0,8% na comparação anual. As vendas atingiram 79,7 milhões de toneladas, representando o melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.
Na avaliação de Hungria, os números sinalizam uma recuperação das operações após um início de ano impactado pelas chuvas intensas, fator que havia aumentado as preocupações do mercado.
Além do minério de ferro, os metais básicos também apresentaram evolução. A produção de cobre avançou cerca de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as vendas cresceram aproximadamente 10%.
Já no níquel, a produção aumentou 4%, enquanto as vendas registraram crescimento superior a 7% na mesma base de comparação.
Apesar dos resultados positivos, Hungria destaca que ainda existe cautela em relação aos custos da companhia. Segundo ele, a guerra no Oriente Médio e o aumento das despesas com combustíveis e fretes marítimos podem pressionar a rentabilidade da Vale nos próximos trimestres.
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