O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) para um quarto mandato à frente da Presidência da República, após uma virada no segundo turno das eleições de 2026.
Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos (48,21%) do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O resultado marcou uma virada na disputa presidencial. No primeiro turno, Flávio havia terminado na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somava 45,16%.
Diante do resultado, analistas ouvidos pela Reuters projetaram uma abertura de forte pressão sobre os ativos brasileiros nesta segunda-feira (26), com possibilidade de queda da Bolsa, valorização do dólar e alta dos juros futuros.

Lula vence as eleições de 2026
A diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro foi de 4.430.191 votos, equivalente a 3,58 pontos percentuais (p.p.). A margem superou a registrada nas eleições presidenciais de 2014 e 2022.
Na disputa de 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro por 2.139.645 votos, com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10% do adversário. Já em 2014, Dilma Rousseff (PT) derrotou Aécio Neves (PSDB) por 3.459.963 votos, uma diferença de 3,28 pontos percentuais.
A maior margem das últimas quatro eleições presidenciais, por sua vez, continua sendo a de 2018, quando Jair Bolsonaro venceu Fernando Haddad (PT) por mais de 10,7 milhões de votos.
O resultado também levou Lula a superar seu próprio recorde de votação. Em 2022, o presidente havia recebido 60.345.999 votos. Dessa vez, ampliou o número em quase 3,9 milhões, alcançando a maior votação nominal já registrada por um candidato à Presidência no Brasil.
Mercado prevê pressão sobre Bolsa
De acordo com a previsão de analistas divulgada pela Reuters na noite de domingo (25), a reação dos ativos brasileiros na abertura desta segunda-feira (26) poderia ser negativa diante da surpresa com o resultado eleitoral.
A avaliação considerava que parte dos investidores havia se posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro. Na sexta-feira (23), último pregão antes da votação, o Ibovespa (Ibov) subiu 0,47%, enquanto o dólar encerrou abaixo de R$ 5, cotado a R$ 4,9896.
Com a confirmação da reeleição de Lula, analistas esperavam um movimento de ajuste nas posições, com pressão de baixa sobre as ações, desvalorização do real e avanço das taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs).
A possibilidade de acionamento do circuit breaker na Bolsa brasileira (B3) também foi mencionada por profissionais do mercado.
Pelas regras da Bolsa, o mecanismo interrompe as negociações por 30 minutos quando o Ibovespa registra queda superior a 10% em relação ao fechamento anterior. Caso a baixa alcance 15% após a retomada, uma nova paralisação de uma hora pode ocorrer.
No câmbio, analistas também apontaram a possibilidade de uma forte valorização do dólar, com projeções que chegaram a R$ 5,50. O Banco Central poderia atuar para reduzir a volatilidade por meio de leilões de moeda à vista ou operações de swap cambial.
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