O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (23) que o país pretende voltar sua atenção para Cuba somente depois de lidar com o Irã. Para isso, declarou que enviará o secretário de Estado, Marco Rubio, para concluir um acordo com o governo cubano.
“Cuidaremos de Cuba na volta do Irã… e depois enviaremos Marco Rubio para finalizar o acordo”, afirmou Trump. A declaração reforça a pressão de Washington sobre Havana e sinaliza que a ilha pode ganhar mais espaço na agenda externa da Casa Branca após o conflito no Oriente Médio.

Trump e intervenção em Cuba
Em paralelo, Trump também sugeriu que navios de guerra norte-americanos que retornarem do Oriente Médio poderiam passar pela costa cubana. Segundo o presidente, uma embarcação poderia parar próxima à ilha antes de Rubio seguir para concluir o acordo.
A fala retoma ameaças anteriores de uma possível intervenção dos Estados Unidos em Cuba. Em maio, Trump já havia afirmado que poderia ser o presidente responsável por agir contra o país, enquanto Rubio classificou o governo cubano como uma ameaça à segurança nacional norte-americana.
Pouco depois do discurso desta sexta-feira, o secretário de Estado publicou uma mensagem nas redes sociais, defendendo que o momento seria oportuno para mudanças em Cuba.
Além disso, ele incentivou pessoas interessadas em promover transformações no país a buscar uma parceria com a CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos.
Em setembro, porém, o presidente dos EUA havia previsto que Washington e Havana chegariam a um acordo, descartando a necessidade de intervenção militar na ilha.
Pressão sobre economia cubana
A relação entre os dois países é marcada por décadas de tensão. Os Estados Unidos mantêm sanções comerciais contra Cuba há mais de 60 anos, e as restrições foram intensificadas durante o atual mandato de Trump.
No início de 2026, Washington impôs um bloqueio de petróleo que agravou a escassez de combustíveis e os apagões no território cubano. A crise energética se soma a problemas estruturais da economia da ilha, que enfrenta dificuldades para manter o abastecimento e os serviços básicos.
Durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, Trump chamou Cuba de “Estado falido” e afirmou que a liberdade chegaria ao país. Na ocasião, a delegação cubana deixou o plenário após as declarações.
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que o país permanece aberto ao diálogo com Washington, mas ressaltou que não havia negociações em andamento nem previsão de conversas futuras.
A nova declaração de Trump ocorre, portanto, em meio ao agravamento das pressões econômicas e diplomáticas sobre Havana. Ainda não foram apresentados detalhes sobre o acordo mencionado pelo presidente, nem sobre quais medidas os Estados Unidos pretendem adotar após o conflito com o Irã.
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