O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou nesta quarta-feira (17) uma nova redução na taxa básica de juros (Selic), promovendo um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.). Com a decisão, a taxa passou de 14,50% para 14,25% ao ano, marcando o terceiro ajuste consecutivo no atual ciclo de flexibilização.
A decisão foi tomada de forma unânime e já vinha sendo projetada no mercado. Na última atualização dos contratos de Opções de Copom da Bolsa brasileira (B3), investidores atribuíam cerca de 79% de probabilidade para uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião.

Cenário exigiu maior cautela do BC
Entre os fatores que influenciaram a decisão, o Banco Central (BC) destacou o aumento das incertezas no ambiente internacional, especialmente diante da persistência dos conflitos no Oriente Médio e dos impactos sobre o mercado global de commodities.
A autoridade monetária chamou atenção para o comportamento do petróleo, que segue pressionado por tensões geopolíticas, elevando a volatilidade dos ativos e exigindo uma postura mais cautelosa por parte de economias emergentes como o Brasil.
“O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais”, afirmou o comitê.
O tema já havia sido citado pelo Copom na reunião de abril, quando o colegiado também havia optado por reduzir a taxa em 0,25 ponto percentual.
O que explica o corte na taxa Selic?
Segundo o comunicado divulgado após a reunião, o Banco Central avaliou que manter uma política monetária excessivamente restritiva poderia empurrar a inflação futura para níveis abaixo da meta estabelecida no horizonte relevante.
Dessa forma, o Copom passou a considerar um ajuste gradual, buscando uma convergência mais equilibrada da inflação, ao mesmo tempo em que evita oscilações mais intensas na atividade econômica.
A projeção oficial do BC para a inflação no quarto trimestre de 2027 (4T27) subiu para 3,7%, acima dos 3,5% projetados na reunião anterior.
“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”, afirmou o comunicado.
Além disso, o mercado segue com expectativas elevadas para os próximos anos. Segundo o relatório Focus citado pelo Banco Central, as projeções apontam inflação de 5,30% para 2026 e 4,10% para 2027, ambos acima da meta oficial.
Decisão foi unânime
O comunicado também confirmou consenso total entre os dirigentes do Banco Central, repetindo o padrão das últimas reuniões.
Votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, além dos diretores Ailton de Aquino, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton Schneider, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.
Com a nova decisão, o mercado agora volta as atenções para os próximos comunicados do BC, tentando identificar se o atual ciclo de cortes continuará nas próximas reuniões ou se o Copom adotará uma pausa diante do cenário global ainda incerto.
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