De forma direta, sem licitação, o Banco do Brasil (BBAS3) informou que fechou um contrato de até R$ 2,3 bilhões com os Correios nesta terça-feira (7), para a prestação de serviços postais convencionais, especiais e telemáticos pelos próximos 60 meses (cinco anos).
Segundo o BB, o acordo tem previsão legal e substitui o contrato anterior, assinado em 2018, com vencimento em 10 de julho de 2026, com valores atualizados pela inflação.
No comunicado, a instituição afirmou que não houve tomada de preços com terceiros em razão da inviabilidade de competição verificada no caso concreto, destacando que cerca de 97,84% dos serviços são exclusivos dos Correios.
Entre eles, estão a distribuição de cartões de crédito e débito, talões de cheque, correspondências a clientes, envio de malotes entre agências e notificações oficiais de cobrança ou jurídicas, em âmbito nacional e internacional.

Banco do Brasil e Correios
Para o Banco do Brasil, o acordo com os Correios é indispensável para suas operações, evitando possíveis perdas financeiras.
“Trata-se de um serviço relevante para o Banco do Brasil S.A., prestado sob tutela de monopólio postal, não existindo a possibilidade de não se contratar, sob pena de gerar prejuízos ao Banco do Brasil S.A. O serviço pretendido é indispensável e a empresa a ser contratada é a única a prestar o serviço demandado em razão do monopólio a ela concedido”, destacou a instituição no comunicado.
Segundo o documento, a decisão foi tomada de forma independente e passou por análise técnica e jurídica. O contrato foi formalizado após procedimentos internos, de acordo com a Comunicação sobre Transações entre Partes Relacionadas.
“Ressalta-se que o contrato é de adesão e aplicado igualmente a todos os clientes, de modo que o Banco do Brasil se submete às mesmas condições, sem tratamento diferenciado”, explicou o BB.
Reestruturação financeira
Atualmente, os Correios estão em processo de reestruturação financeira, com novas captações de crédito após dificuldades nas finanças. No primeiro trimestre de 2026 (1T26), a estatal registrou prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões.
Além disso, a empresa já havia tomado empréstimo de R$ 12 bilhões no fim de 2025 junto a um consórcio formado por cinco bancos, Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander, com vencimento em 2040.
Com isso, o Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu alertas formais apontando falhas técnicas nas análises do governo sobre a capacidade dos Correios de gerar caixa para honrar o pagamento dessas dívidas de longo prazo.
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