O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou nesta terça-feira (08) o afastamento de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal (PF), e de Leandro Almada, diretor de inteligência do órgão, dos respectivos cargos.
Além dos afastamentos, a decisão também determinou a abertura de procedimentos investigatórios na Corregedoria da PF e a suspensão da produção de relatórios da Polícia Federal sobre atos de magistrados, advogados públicos e policiais federais.
Na Corte, a decisão é vista como um racha ideológico, podendo abrir uma discussão sobre imparcialidade, segundo advogados criminalistas ouvidos pelo Broadcast Político.

Decisão de André Mendonça
Na última quarta-feira (02), o partido Novo levou ao STF um pedido de providências para preservar investigações em curso, sugerindo a avaliação do afastamento cautelar de Andrei Rodrigues após novas mensagens extraídas do celular do ex-controlador do Banco Master e atual investigado, Daniel Vorcaro.
O conteúdo das mensagens foi apresentado em 1º de setembro e incluía menções a Andrei Rodrigues e ao ministro Alexandre de Moraes. O Novo também pediu a prisão de Rodrigues, apontando suspeitas de embaraço às investigações relacionadas ao escândalo financeiro envolvendo o Master.
Diante desse cenário, André Mendonça determinou o afastamento preventivo imediato de Andrei Rodrigues e do chefe de inteligência da PF, além de suspender a produção e divulgação de seis relatórios de inteligência elaborados entre 3 e 31 de agosto de 2026.
“Diante das inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes [na conduta de Andrei], a superlativa gravidade e ilicitude na produção dos relatórios de inteligência publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas”, afirmou Mendonça.
Moraes apresentou relatório
Na quinta-feira (03), Alexandre de Moraes havia divulgado trechos de um relatório de inteligência da PF que afirma que Mendonça “denota interesse no início de investigação formal” sobre o Banco Master e o escândalo do INSS.
O documento aponta haver um “quadro indicativo de que André Mendonça adota posturas muito diferentes” diante de suspeitas envolvendo os ministros Dias Toffoli e Nunes Marques, em comparação com Alexandre de Moraes, “apresentando discurso de defesa quanto aos dois primeiros”.
A advogada criminalista Ana Krasovic explica que o Judiciário tem poder para afastar cautelarmente um agente público, inclusive uma autoridade de alto escalão. O problema, segundo ela, é saber se estavam presentes os requisitos para que Mendonça exercesse essa prerrogativa individualmente.
Mendonça afirma, na decisão, que foi submetido a um “monitoramento sistemático por parte da inteligência da Polícia Federal”, que considera “ilícito”.
“O próprio ministro se considera vítima do monitoramento que fundamenta a decisão. Isso abre uma discussão séria sobre imparcialidade, além da necessidade de demonstrar risco concreto que justificasse uma medida extrema contra a cúpula da Polícia Federal”, destacou Krasovic.
Para a advogada, mesmo com uma eventual confirmação da decisão pela Segunda Turma do STF, pode permanecer a discussão sobre a competência de André Mendonça para determinar as medidas.
Na tarde desta terça-feira (08), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está reunido no Palácio da Alvorada com os ministros Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União, e Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública, para discutir o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal.
A crise envolvendo o STF, a Polícia Federal e o caso Master mostra como decisões políticas e institucionais podem aumentar a volatilidade e o risco no mercado.
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