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Terça de Valor: Gabriel Morgado analisa impacto das eleições nos investimentos

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No 22º episódio do Terça de Valor, apresentado por Gabriel Porto, o analista chefe da Orion Research, Gabriel Morgado (@_gabrielmorgado_), falou sobre o impacto das eleições nos investimentos, as oportunidades diante dos juros elevados e a importância da diversificação.

Durante a conversa com Porto, Morgado também comentou sobre renda fixa, ações, fundos imobiliários, mercado internacional e criptomoedas.

De acordo com o analista, períodos eleitorais costumam aumentar a volatilidade dos mercados, já que os investidores passam a acompanhar as pesquisas e antecipar possíveis cenários para o resultado das urnas.

“A bolsa sempre tenta prever o que está acontecendo, então as pessoas meio que apostam no que vai acontecer em relação à eleição e a gente olha muito para as pesquisas eleitorais”, destacou Morgado.

Morgaro avalia impacto das eleições

No episódio, Gabriel Morgado apresentou quatro possíveis cenários para o comportamento da Bolsa ao longo do processo eleitoral. Segundo ele, o mercado pode reagir de maneiras diferentes dependendo da distância entre aquilo que as pesquisas indicam e o resultado efetivamente confirmado nas urnas.

No primeiro cenário, caso a oposição permaneça à frente nas pesquisas e confirme a vitória, o analista afirmou que a Bolsa poderia continuar avançando gradualmente. “Muito provavelmente vai bater o recorde que a gente chegou nesse ano, próximo aos 200.000 pontos”, afirmou.

Em um segundo cenário, caso as pesquisas apontem vantagem da oposição, mas o resultado das eleições mantenha o governo atual, Morgado avaliou que poderia ocorrer uma queda mais acentuada da Bolsa.

Já em uma terceira possibilidade, as pesquisas poderiam mudar novamente, com o governo passando à frente. Nesse caso, o mercado poderia reagir negativamente antes da eleição e voltar a sofrer uma nova queda caso o governo fosse mantido. “O mercado deve cair de novo, mas não vai ser aquela queda gigantesca como no cenário dois.”

No quarto cenário apresentado pelo analista, o governo passaria à frente nas pesquisas, mas a oposição venceria a eleição. Para Morgado, nesse caso, poderia ocorrer uma forte reação positiva da Bolsa.

Apesar das possibilidades de curto prazo, o analista reforçou que o investidor deve evitar concentrar sua estratégia nas movimentações eleitorais. “Não tem como a gente ter uma bola de cristal e prever resultados”, ressaltou Morgado.

Proteção da carteira nas eleições

Diante do cenário eleitoral, o analista Gabriel Morgado aponta a renda fixa como a classe de ativos que pode cumprir duas funções principais dentro de uma carteira: proteção e disponibilidade de recursos para aproveitar oportunidades.

“Eu gosto de usar a renda fixa para dois cenários: primeiro, reserva e segundo, proteção”, explicou.

Morgado costuma trabalhar com uma parcela de 10% a 15% em reserva nas carteiras de clientes. Além disso, destacou a possibilidade de manter recursos em renda fixa para aproveitar momentos de queda dos preços dos ativos de risco.

“É um momento perfeito, como o que a gente está agora, na quantidade guardada no nosso caixa, justamente para aproveitar oportunidades. Então o ativo ficou barato. Opa, esse é o momento de eu tirar do meu caixa e colocar na oportunidade”, afirmou.

O analista também citou o Tesouro e produtos de liquidez imediata, como as chamadas caixinhas de bancos, como alternativas que podem ser utilizadas para manter recursos disponíveis.

Para quem possui uma parcela muito elevada do patrimônio em renda fixa, o analista defendeu uma migração gradual para outros ativos conforme o cenário de juros mudar.

Efeitos para diferentes setores

Diferentes setores da economia também podem reagir ao resultado eleitoral e, principalmente, ao comportamento dos juros, segundo Morgado.

Para o analista, caso os juros permaneçam elevados, setores como varejo podem sofrer com o menor consumo, enquanto empresas do setor de seguros podem se beneficiar da maior rentabilidade dos recursos financeiros que mantêm aplicados.

Em um cenário de queda dos juros, o movimento poderia ser diferente. O varejo poderia ganhar força com o aumento do consumo, enquanto seguradoras tenderiam a obter uma rentabilidade menor sobre os recursos aplicados.

O setor bancário também foi citado, já que os resultados podem ser influenciados pelo nível das taxas de juros e pela atividade de crédito.

“Se a taxa de juros estiver alta, ele vai receber muito mais por isso. Se a taxa de juros estiver baixa, acaba recebendo menos.”

Já o setor de petróleo, segundo Morgado, possui uma dinâmica diferente e é mais influenciado por fatores externos, como o dólar e o preço do petróleo.

Dessa forma, o analista afirmou que, em relação às estatais ligadas a commodities, uma alternativa seria manter uma exposição menor a esses ativos, considerando a possibilidade de mudanças provocadas por decisões governamentais.

“Por ser um ativo muito volátil, está sujeito a uma canetada. Então, deixando uma exposição menor, a gente consegue estar sempre ganhando mais no futuro e perdendo menos também caso algo de ruim aconteça”, explicou.

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