Hoje, 28 de janeiro, ocorreu a chamada “Super-Quarta”, dia em que as decisões de juros do Brasil e dos Estados Unidos são divulgadas simultaneamente. Nos EUA, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) decidiu manter os juros de referência na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
De acordo com os diretores do Federal Reserve (Fed), a pausa na flexibilização da política monetária reflete as condições da economia norte-americana, que ainda indicam inflação resiliente, enquanto o mercado de trabalho dá sinais de perda de força.
A decisão, no entanto, já era esperada pelo mercado. Segundo a ferramenta CME FedWatch Tool, 97,2% das apostas antes do anúncio indicavam manutenção da taxa.
No período, as bolsas norte-americanas reagiram de forma contida. O Dow Jones e o Nasdaq encerraram o pregão com altas de 0,02% (49.015 pontos) e 0,17% (23.857 pontos), respectivamente, enquanto o S&P 500 registrou leve queda de 0,01%, aos 6.978 pontos.
Mudança no cenário explica a decisão
Os dirigentes do Fed destacaram que a criação de empregos segue em ritmo baixo, embora a taxa de desemprego tenha apresentado sinais de estabilização. Ao mesmo tempo, a inflação permanece acima da meta.
“O Comitê busca alcançar o máximo de emprego e inflação na taxa de 2% ao longo do prazo. A incerteza sobre as perspectivas econômicas permanece elevada. O Comitê está atento aos riscos para ambos os lados de seu duplo mandato”, escreveram no comunicado.
Para os próximos passos, o Fed afirmou que continuará monitorando os dados econômicos, a evolução das expectativas e o equilíbrio dos riscos, mantendo a possibilidade de ajustes na política monetária caso necessário.
Além disso, na reunião anterior, em novembro de 2025, o banco central já havia sinalizado divisão entre os dirigentes, também motivada pela desaceleração do mercado de trabalho. Desta vez, Stephen Miran e Christopher Waller votaram contra a decisão, defendendo um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.).
Super-Quarta: Copom mantém Selic
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, nível mais alto dos últimos 20 anos. A decisão marcou a quinta reunião consecutiva sem alteração.
O movimento já era esperado pelo mercado brasileiro. As altas da Selic tiveram início em novembro de 2024, quando a taxa passou para 11,25%, encerrando o ano em 12,25%. Em 2025, os juros avançaram para 13,25% em janeiro, 14,25% em março, 14,75% em maio e, por fim, 15% em junho.
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