As ações do Santander Brasil (SANB11) operam em queda nesta quarta-feira (04), após a divulgação do balanço trimestral. Apesar de o lucro líquido de R$ 4,1 bilhões ter vindo acima das expectativas do mercado, que projetava cerca de R$ 4 bilhões, a qualidade do resultado não agradou investidores e analistas.
Por volta das 16h15 (horário de Brasília), os papéis SANB11 recuavam 3,26%, negociados a R$ 34,77, refletindo a leitura mais cautelosa do mercado sobre os números apresentados.
Resultado do Santander
No detalhamento do balanço, o lucro antes de impostos (EBT) ficou 5% abaixo do consenso. Já o lucro antes das provisões recuou 7% em relação às estimativas, pressionado principalmente pela queda da receita líquida de juros (NII) e pelo aumento das despesas operacionais (opex).
Além disso, os indicadores de inadimplência (NPLs) apresentaram desempenho inferior ao esperado, com maior pressão na carteira de pequenas e médias empresas (PMEs). O segmento registrou aumento contínuo dos atrasos entre 15 e 90 dias.
No caso das pessoas físicas, os NPLs acima de 90 dias avançaram 40 pontos-base na comparação trimestral. Analistas apontam que, embora parte do movimento seja explicada pela mudança na composição do portfólio para exposições consideradas menos arriscadas, o dado ainda inspira cautela, diante das tendências mistas observadas na qualidade dos ativos.
Recomendações para o SANB11
Para o Safra, a reação negativa do mercado pode estar relacionada à extensão dos períodos de baixa contábil, o que levou a uma expansão sequencial de 9% do portfólio renegociado. O banco mantém uma postura cautelosa, especialmente diante do ambiente macroeconômico ainda desafiador.
Os analistas classificam o trimestre como um período de menor qualidade na composição da demonstração de resultados, ainda que parte dessa leitura já tivesse sido antecipada pelos números preliminares divulgados pelo Santander no dia anterior.
Em linha, o Citi destaca que os esforços de eficiência ficaram aquém do esperado e que os resultados do Santander mostraram estabilidade nas receitas e na rentabilidade, sem grandes catalisadores positivos no curto prazo.
Ademais, o retorno sobre o patrimônio médio (ROAE) do banco ficou em 17,6% no quarto trimestre de 2025 (4T25), representando uma queda de 0,1 ponto percentual (p.p.) em relação ao 4T24 e estabilidade frente ao 3T25.
Dessa forma, o Safra mantém recomendação neutra para SANB11, com preço-alvo de R$ 40, o que representa um potencial de valorização de cerca de 11%.
Declarações sobre o Banco Master
Na última quinta-feira (29), o CEO do Santander Brasil (SANB11), Mario Leão, concedeu uma coletiva à imprensa para comentar as especulações sobre um eventual fechamento de capital do banco e o caso do Banco Master.
Segundo Leão, o Brasil não pode aceitar que “um novo Banco Master volte a acontecer”. A liquidação da instituição, decretada em novembro do ano passado, revelou um rombo estimado em R$ 47 bilhões, equivalente a cerca de um terço da liquidez do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A situação também gerou impactos sistêmicos. “Não podemos antecipar nada do que está sendo discutido com o regulador e com o FGC. Esse diálogo é bastante frequente entre os grandes bancos, o FGC e o regulador. Estamos debatendo. Os bancos não são os únicos atores, mas participam ativamente dessas discussões”, afirmou o CEO. Segundo ele, a expectativa é de que alguma definição ocorra nas próximas semanas ou meses.
Possível fechamento de capital
Além do caso do Banco Master, Mario Leão comentou as discussões sobre um possível fechamento de capital do Santander Brasil, após o investimento de US$ 12,2 bilhões na aquisição do Webster Financial, nos Estados Unidos.
Para ele, o tema não é o foco no momento. “A recente operação realizada nos Estados Unidos não diminui em nada a relevância do Santander Brasil hoje, nem o papel que o banco precisa desempenhar para que o grupo continue crescendo.”
“A responsabilidade é clara: continuar fazendo o banco crescer, apontar na direção correta, gerar capital para o grupo e permitir que esse capital seja usado tanto para distribuição aos acionistas quanto para movimentos inorgânicos, que, eventualmente, podem incluir o fechamento de capital no Brasil”, complementou.
Segundo Leão, o Brasil segue como um dos principais vetores de crescimento dos resultados do grupo a partir de 2026 e nos anos seguintes.
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