O Banco Central (BC) informou nesta segunda-feira (10), por meio de um relatório de gestão do Pix, que avalia a interligação do sistema de pagamentos instantâneos com outros países, devido à maior eficiência e ao menor custo de transações que a operação poderia proporcionar.
Além disso, a instituição monetária destacou a evolução da ferramenta nos últimos anos, com funcionalidades como Pix Cobrança, Pix Saque, Pix Agendado e Pix por Aproximação.
O relatório apresenta dados sobre o crescimento do meio de pagamento em um momento em que o Pix passou a ser alvo de críticas do governo dos Estados Unidos.

Pix internacional
De acordo com o Banco Central, a medida representaria um passo adicional em relação ao monitoramento já realizado atualmente sobre transações feitas com Pix em outros países, por meio de parcerias entre instituições financeiras privadas brasileiras e estrangeiras.
“Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em ‘hubs’ multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos”, afirmou o BC no relatório de gestão do Pix.
Além disso, a possibilidade já havia sido mencionada anteriormente, em 2023, quando a autoridade monetária afirmou, em outro relatório, que o Pix poderia “permitir, no futuro, a integração com sistemas de pagamentos instantâneos internacionais”, sem detalhar como a operação funcionaria.
As perspectivas incluem desde a assinatura de acordos bilaterais até a participação em “hubs” multilaterais. Segundo o relatório, a interligação permitiria realizar compras internacionais com a disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos.
Alvo dos Estados Unidos
Recentemente, o Pix entrou na mira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a importação de uma série de produtos brasileiros.
Entre as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano estavam alegadas “práticas comerciais desleais”, incluindo críticas ao sistema de pagamentos brasileiro.
Trump afirma que o Pix prejudica empresas de pagamentos dos Estados Unidos. Segundo dados do BC, o Pix já responde por 54,7% das transações financeiras no país, com 42,9 bilhões de operações apenas no segundo semestre de 2025.
No relatório, a autoridade monetária argumentou que a interligação de sistemas de pagamentos instantâneos tem potencial para reduzir tarifas, aumentar a velocidade, ampliar o acesso e melhorar a transparência de transações transfronteiriças.
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