Após acusações de corrupção, abuso de poder e violações de direitos humanos, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi preso neste sábado (03) em uma operação liderada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Com isso, o setor de petróleo voltou ao centro das atenções do mercado financeiro.
De acordo com Trump, empresas petrolíferas norte-americanas passarão a atuar na indústria venezuelana, que, segundo ele, teria sido “roubada” pelo regime socialista.
“Nós construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e habilidade americanos, e o regime socialista a roubou de nós”, disse Trump. Segundo o presidente dos EUA, as empresas investirão “bilhões de dólares” para recuperar a infraestrutura e “começar a gerar lucro para o país“, destacou.
Impactos no petróleo são incertos
Apesar da repercussão política, os efeitos práticos para o mercado permanecem incertos. Atualmente, a Venezuela produz menos de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global.
Em contrapartida, o país detém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, equivalentes a cerca de 17% do total global. Caso esse potencial venha a ser explorado, a oferta mundial poderia ser significativamente ampliada, pressionando os preços para baixo.
Na sessão desta segunda-feira (05), a commodity iniciou o dia em queda. Às 06h05 (horário de Brasília), o Brent recuava cerca de 1%, cotado a US$ 60 o barril, enquanto o WTI caía 1%, para US$ 56.
Porém, às 15h30, os preços passaram a registrar recuperação, com avanço de 1,71% (US$ 61,79) e 1,80% (US$ 58,35), respectivamente. Essa oscilação reflete as dúvidas do mercado sobre o futuro da produção venezuelana.
Visão dos analistas sobre efeitos
Entre os analistas, as opiniões seguem divididas. Para o JPMorgan, a visibilidade sobre o que esperar da produção venezuelana neste momento ainda é limitada. Assim, o mercado tende a precificar o cenário considerando um possível ambiente de preços mais baixos do petróleo.
Os analistas também apontam o risco de um choque de produção de curto prazo durante uma transição política. Episódios anteriores, como a greve da PDVSA em 2002-2003, indicam que pausas operacionais, deslocamento de trabalhadores e paralisações preventivas podem reduzir temporariamente a produção.
Em outra perspectiva, o analista da Ajax Asset, Rafael Passos, avalia que o maior envolvimento dos EUA no setor petrolífero venezuelano pode levar à flexibilização gradual de sanções e à elevação da produção da commodity.
Segundo Passos, a oferta poderia crescer cerca de 250 mil barris por dia no curto prazo e alcançar entre 1,3 milhão e 1,4 milhão de barris diários em até dois anos.
“Com a redução de riscos políticos e sanções econômicas, espera-se uma queda do prêmio geopolítico do preço do petróleo, o que tem efeito desinflacionário e traz maior estabilidade às cadeias produtivas de energia. O movimento indica abertura a capital privado, integração aos mercados internacionais e redução de políticas intervencionistas”, afirmou o especialista.
Cenário no Brasil
No Brasil, a Genial Investimentos avalia que, “com as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, a Venezuela carrega um potencial singular de reintroduzir, ao longo dos próximos anos, um volume relevante de oferta estrutural no mercado internacional, alterando o equilíbrio hoje sustentado pela OPEP e, por extensão, os mecanismos tradicionais de controle de preços”.
Assim, a provável reabertura venezuelana ao capital estrangeiro tende a criar oportunidades de aquisição de ativos depreciados para o maior país da América do Sul, sobretudo para empresas com expertise em desenvolvimento de reservatórios maduros e em reestruturação operacional.











