As ações da MRV&Co (MRVE3), maior construtora da América Latina, fecharam entre as maiores quedas do Ibovespa (Ibov) nesta terça-feira (07), após a divulgação da prévia operacional do primeiro trimestre de 2026 (1T26).
No encerramento do pregão, os papéis MRVE3 registraram queda de 9,45%, cotados a R$ 7,22, liderando a ponta negativa do índice.
O movimento reflete uma leitura mais cautelosa por parte do mercado, marcada por geração de caixa mais fraca no Brasil e maior dependência da venda de ativos nos Estados Unidos para sustentar os números consolidados.

Prévia do 1T26 do MRV (MRVE3)
No 1T26, a MRV&Co reportou R$ 387 milhões em geração de caixa, impulsionada principalmente pela venda de ativos da operação americana e pelo desempenho da incorporação no Brasil.
Entre janeiro e março, a divisão MRV Incorporação apresentou geração de caixa de R$ 96 milhões, superando os cerca de R$ 80 milhões do 4T25 e revertendo o consumo de R$ 68,6 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.
No entanto, ajustes operacionais impactaram a leitura dos números. No período, houve a exclusão da cessão de carteira e uma mudança no critério de pagamento da Caixa Econômica Federal, em que os valores das unidades repassadas passam a ser depositados apenas após o registro em cartório.
Com isso, a operação acabou registrando consumo de caixa de R$ 24,2 milhões no período. Além disso, a companhia apresentou um descasamento entre produção e repasses, com 9.747 unidades produzidas frente a 8.229 unidades repassadas, uma diferença de 1.518 unidades.
Transferência de clientes para caixa
Na avaliação do Bradesco BBI, a transferência de clientes para a Caixa frustrou a expectativa de uma geração líquida levemente positiva, além de indicar uma velocidade de vendas abaixo do esperado.
Por outro lado, a companhia destacou que o saldo represado na conta transitória da Caixa, decorrente da mudança de critério, apresentou redução de R$ 46,6 milhões na comparação trimestral, totalizando R$ 281 milhões, ainda em patamar positivo.
Ademais, no exterior, a continuidade da venda de ativos da Resia contribuiu de forma relevante para a geração de caixa consolidada, fator considerado importante para o cumprimento de covenants e para a percepção de risco do balanço.
O Bradesco BBI mantém recomendação de compra para MRVE3, destacando que a ação negocia a cerca de 0,7 vez o valor patrimonial, com expectativa de melhora gradual dos resultados ao longo dos próximos trimestres.
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