As ações do Méliuz (CASH3) registraram queda nesta sexta-feira (20), após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25), apresentados na quarta-feira (18). Segundo a companhia, o desempenho foi impactado negativamente pela exposição a bitcoin (BTC).
Entre outubro e dezembro de 2025, o Méliuz reportou prejuízo contábil de R$ 32,9 milhões, influenciado pelas perdas com a criptomoeda. Desconsiderando esse efeito, o lucro líquido ajustado foi de R$ 18,8 milhões, um crescimento de 772% na comparação com o mesmo período de 2024.
No entanto, o resultado não foi suficiente para sustentar a alta dos papéis. Nesta sexta-feira, CASH3 fechou em queda de 1,93%, cotado a R$ 3,52. No acumulado da semana, por outro lado, a ação avançou 5,39%.

Reserva em bitcoin (BTC)
Em março de 2025, seguindo a estratégia de outras Bitcoin Treasury Companies, como a Strategy e a OranjeBTC (OBTC3), o Méliuz passou a adotar o encarteiramento de bitcoin.
Em nove meses, até dezembro de 2025, a companhia acumulou 604,7 BTC em reserva, adquiridos a um preço médio de aproximadamente US$ 103,3 mil, equivalente a cerca de R$ 291,8 milhões ao final do período.
Porém, com a queda do preço do BTC, que recuou mais de 23% no 4T25, a empresa revisou sua estratégia e passou a priorizar recompra de ações, que totalizou R$ 16 milhões no período, em vez de ampliar a posição em criptomoedas.
A desvalorização do bitcoin também gerou um impairment de R$ 57,1 milhões. A companhia ressalta que esse efeito é contábil e não impacta o caixa. Por outro lado, o Méliuz reportou um bitcoin yield de 953% em 2025, com ganho de 435,8 BTC no ano.
Balanço do Méliuz (CASH3)
No 4T25, o Méliuz registrou receita líquida de R$ 138,3 milhões, alta de 32% na comparação anual. No acumulado de 2025, a receita somou R$ 460,2 milhões, avanço de 26% sobre 2024.
O crescimento foi impulsionado pelaShopping Brasil, principal negócio da companhia, que avançou 41% no ano e 52% no trimestre na comparação anual. Por outro lado, a divisão de serviços financeiros apresentou queda de 32% no ano, impactada pela renegociação da parceria com o banco BV.
Já o Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado atingiu R$ 34,6 milhões no trimestre, crescimento de 64% na base anual. No acumulado de 2025, o indicador somou R$ 92,9 milhões, alta de 72%.
Enquanto o Ebitda contábil foi pressionado pelo impairment do bitcoin, resultando em um valor negativo de R$ 17,2 milhões. Ademais, o Méliuz encerrou o trimestre com 49,4 milhões de usuários, uma alta de 29% em relação ao ano anterior.
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