Com a segunda maior alta do Ibovespa (Ibov), principal índice da bolsa brasileira (B3), desta quinta-feira (22), os papéis do Magazine Luiza (MGLU3) saltavam 4,02% às 16h00 (horário de Brasília), valendo R$ 9,58, chegando a máxima de R$ 10,08. A alta é provocada pela recomendação de compra do Jefferies.
O banco norte-americano estabeleceu o preço-alvo de R$ 13,60 para as ações da varejista, equivalente a uma potêncial valorização de 47,7% ante último fechamento na quarta-feira (21). “A expectativa de queda da inflação e a expectativa de cortes futuros na taxa Selic também favorecem empresas do setor varejista, que são sensíveis às condições econômicas”, afirma.
A projeção também aponta que o MGLU3 está sendo negociado com desconto nesta quinta-feira (22) e deve ter um re-rating — reavaliação por parte dos investidores — apontando uma possível melhora nos resultados dos próximos trimestres.
O sales de renda variável da InvestSmart XP, Rodrigo Vignolli, diz que mesmo com o desempenho fraco no primeiro trimestre de 2025 (1T25), o mercado é incentivado pelas perspectivas de recuperação de vendas e das margens ao longo do ano, impactado pelas estimativas do banco.
“Além disso, a possível queda nos juros, com expectativas de maior controle fiscal e uma postura menos restritiva do Banco Central, beneficia empresas cíclicas como a Magazine Luiza, ao reduzir custos financeiros e estimular o consumo. Esse contexto tem atraído investidores para o setor, favorecendo a alta da MGLU3, que já acumula uma valorização de mais de 50% no ano”, complementou.
O relátorio do Jefferies estima que os papéis estejam sendo negociadas a um múltiplo de 6,3 vezes EV/Ebitda, ou seja, o valor total da empresa sobre o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), forma de definir se a ação está cara ou barata. A expectativa é de que essa métrica chegue a 7,2 vezes até dezembro deste ano.
Por que comprar MGLU3?
Os analistas do banco enxergam o MGLU3 como um grande aposta para a queda de juros no Brasil. “Estimamos que uma redução de um ponto percentual na taxa básica aumentaria o lucro antes do imposto (EBT) em 166%”, escreveram.
O Jefferies vê a dinâmica de vendas como fraca, mas espera uma leve melhora com a expansão do crédito e novas iniciativas, enquanto as margens também seguem a linha mesmo sem investimentos relevantes em capital, impulsionando retornos mais altos sobre o capital investido (RoIC).
A alavancagem e as altas taxas de juros, por outro lado, pressionam o resultado final, ponderando o processo de desalavancagem que vem se concretizando com relação dívida líquida/Ebitda, passando de 12,7 vezes o Ebitda no primeiro trimestre de 2022 (1T22) para 4,5 vezes no momento.
Analistas destacam o valuation atrativo do Magalu como ponto positivo, estando próximo das mínimas históricas, com múltiplo EV/EBITDA. A varejista também tem superado os concorrentes locais com alta de 17,5% do Volume Bruto de Mercadorias (GMV, sigla em inglês), medidor total do valor das vendas realizadas no e-commerce.
“Estimamos que esses esforços elevem a receita de serviços de 9,7% para 13% da receita líquida até 2030, impulsionando a rentabilidade, pois os serviços apresentam margem operacional mais alta. Portanto, diferimos do mercado ao acreditar que as margens brutas e retornos irão melhorar sequencialmente”, apontam.






