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Incertezas sobre tarifas de 50% para o Brasil devem perdurar para além de 1º de agosto; avalia o JPMorgan

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As tarifas de 50% sobre exportações de produtos brasileiros — a maior entre os países incluídos na medida —, imposta pelo presidente do Estados Unidos, Donald Trump, está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. Com isso, a incerteza entre investidores aumentou e tende a persistir muito além da data de início, aponta o JPMorgan.

Trump utilizou o mecanismo extraordinário da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, sigla em inglês) para implementação das taxas. No entanto, o Tribunal de Comércio Internacional (CIT, sigla em inglês) considerou a medida ilegal, o que pode levar à suspensão das tarifas e à invalidação de acordos, forçando o governo a buscar outros caminhos legais.

Caso a decisão judicial suspenda a medida, a alíquota pode cair de 13-14% para cerca de 5%. “Uma alíquota tarifária permanentemente em 5% implicaria uma elevação substancial em nossa previsão de crescimento para o segundo semestre de 2025 e provavelmente reduziria nossa previsão do IPC básico para 2025 em quase um ponto percentual”, afirmou o economista do JPMorgan, Abiel Reinhart.

De qualquer forma, o impacto potencial das tarifas do EUA para o Brasil é relevante. Os economistas do JPMorgan avaliam que a tarifa de 50% pode reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) do país entre 0,6 e 0,9 ponto percentual (p.p.). O que seria significativo, mas não catastrófico, segundo análise.

O cenário, no entanto, pode se agravar com medidas adicionais, especialmente se houver uma eventual retaliação por parte do governo brasileiro. Trump já sinalizou que poderá elevar ainda mais a tarifa, caso o Brasil adote alguma reação tarifária.

Outros fatores como sanções comerciais e restrições ao investimento direto estrangeiro (IDE) também podem intensificar a desaceleração da economia brasileira.

Tarifas de 50% para o Brasil

Com anúncio em 9 de junho, a tarifa de 50% do presidente Donald Trump ao Brasil, surge com motivação predominantemente política. Isso torna a situação do Brasil diferente da de outros países afetados e dificulta a atuação de empresas norte-americanas para intermediar uma reversão, como costuma ocorrer em outras disputas comerciais.

A medida ocorreu após uma série de tensões monitoradas pelo governo dos EUA, sobre a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro até a relação comercial, apontando déficits comerciais “insustentáveis” nas negociações entre as nações.

Contudo, dados oficiais do próprio governo norte-americano mostram que, em 2024, os Estados Unidos registrou um superávit de US$ 7,4 bilhões na balança comercial de bens com o Brasil.

Atualmente, as exportações do país sul-americano para os EUA correspondem a pouco menos de 2% do PIB, com um comércio praticamente equilibrado.

O que esperar da taxação?

A decisão final da Corte de Apelações norte-americana sobre a legalidade do uso do IEEPA está prevista para 31 de julho.

Enquanto isso, o JPMorgan afirma que ainda não está ajustando suas projeções econômicas, mas alerta para riscos adicionais.Dito isso, o risco para nossa já pessimista projeção de crescimento para o segundo semestre de 2025 e além fica ainda mais grave”, aponta o economista da equipe de Pesquisa de Mercados Emergentes do JPMorgan, Vinicius Moreira.

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