As ações da JBS (JBSS3) operam em queda nesta segunda-feira (26) mesmo com aprovação de dupla listagem. Às 14h57 (horário de Brasília) os papeís caiam 4,30%, cotados a R$ 38,99. A estimativa é de que a JBSS3 comece a ser negociada na bolsa de Nova York (NYSE) em 12 de junho.
A companhia enxega o processo como forma de alcançar uma expansão na base de investidores, e um avanço necessário para fechar a lacuna de valuation — processo de determinar o valor justo de uma empresa — em relação aos seus pares estadunidenses, como a Tyson Foods e sua subsidiária Pilgrim’s Pride Corporation (PPC).
“Com a dupla listagem, buscamos uma estrutura corporativa que reflita melhor a nossa presença global e as nossas operações internacionais diversificadas, além de facilitar a implementação da nossa estratégia de crescimento e agregação de valor. A medida deve destravar ainda mais valor da JBS, com maior acesso a investidores e a juros mais competitivos, para ampliar a capacidade de financiar o crescimento a um menor custo, acelerando a estratégia de diversificação”, diz Guilherme Cavalcanti, CFO da empresa.
A conclusão tem como seguintes requisitos — anteriormente à conclusão da dupla listagem — a aprovação da admissão das Class A Shares para negociação junto à NYSE, e do Programa de BDRs Nível II Patrocinado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) junto a admissão à negociação dos Brazilian Depositary Receipts (BDRs) pela bolsa brasileira.
A listagem da JBS (JBSS3) será feita por meio de uma reestruturação societária e a migração da base acionária para uma nova holding, com sede na Holanda, chamada JBS N.V.. Com isso, atuais investidores da distribuidora receberão ações preferênciais resgataveis, podendo ser convertidas automaticamentem em BDRs.
O BDR deve começar a ser negociado em 9 de junho. Além disso, a empresa passará por deslistagem no dia 6 de junho, quando deixará a bolsa de valores brasileira (B3).
Deslistagem do JBSS3 na B3
O Santander Brasil estima que a deslistagem da JBS (JBSS3) na B3 deve gerar um fluxo de saída de R$ 550 milhões de fundos passivos ao Ibovespa (Ibov), levando em conta a saída do índice e do IBRX100, que representa cerca de 1,1 vez volume diário de negociação da companhia.
O banco acredita que um processo de reclassificação está em andamento, com base na ação sendo negociada com múltiplo de 5,3 vezes o valor da empresa sobre lucro antes de juros, depreciação, amortização e impostos (Ebitda), ante uma média de 4,9 vezes.
Os analistas apontam que em um cenário do aumento de imposto IOF, cobrado sobre transferências financeiras nacionais ou internacionais, pode acabar restringindo a conversão de BDRs em ações Classe A, o que adiantará a transferência e limitará a liquidez, “Embora esta nova taxa já esteja em vigor, a visibilidade sobre futuras mudanças na tributação ainda é baixa”, explicam.
O Santander reitera recomendação outperform, ou seja, equivalente a compra para a JBSS3, com preço alvo de R$ 58, potencial valorização de 38,96% ante último fechamento na sexta-feira (23).






