O Santander reduziu suas projeções para a inflação de 2025 e 2026, refletindo a combinação de câmbio comportado, commodities estabilizadas e política monetária restritiva. Segundo o banco, “a combinação de juro real elevado e câmbio bem-comportado seguem sugerindo risco baixista para nossos números de IPCA.”
O banco agora espera que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche 2025 em 4,4%, ante 4,7% projetados anteriormente. A nova estimativa permanece dentro da meta do Banco Central (BC), que é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para cima ou para baixo.
Os economistas explicam que, no curto prazo, o comportamento dos preços dependerá principalmente da dinâmica de seus componentes. “A recente tendência de desinflação tem sido liderada pelos bens comercializáveis, que desaceleraram em meio à queda dos preços das commodities em real, e esse movimento pode se estender por mais alguns meses.”
Além disso, o Santander revisou seu cenário e agora projeta bandeira amarela em dezembro, impacto compensado pelos cortes na gasolina e pela queda nos preços dos alimentos.
IPCA em 2026
Para 2026, também houve novo corte na projeção do IPCA, que passou de 4,2% para 3,9%. Embora o banco veja viés baixista na inflação, destaca que as medidas de impulso à renda previstas para o próximo ano representam um risco altista, assim como a volatilidade típica de ano eleitoral.
O Santander também projeta que o ciclo de redução de juros começará em janeiro, condicionado a dois fatores. “O primeiro seria a continuidade do comportamento das commodities em reais. O segundo é a efetividade da taxa de juros real, que permanece acima do nível neutro. Pelas nossas estimativas, a postura monetária restritiva está um desvio padrão acima de sua média histórica”, destacou.
Santander projeta PIB e Selic
Além do IPCA, o Santander também revisou sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) projetando crescimento de 2% em 2025 e 1,5% em 2026, sustentado pela isenção do Imposto de Renda (IR) e por um cenário de crédito mais fraco.
“Continuamos prevendo uma desaceleração gradual da atividade econômica ao longo do segundo semestre de 2025, com o balanço de riscos inclinado para o lado negativo“, disseram.
Em relação a taxa básica de juros (Selic), o banco estima que o ínicio do ciclo de cortes ocorra já em janeiro, desde que haja continuidade do processo de reancoragem das expectativas de inflação e a estabilização das revisões de hiato por parte do Banco Central.
“Esperamos quatro cortes de 50 pontos-base seguidos por dois cortes de 25 pontos-base e encerrando o ano com Selic em 12,50%”, afirmaram.











