Nesta terça-feira (17), o Governo Federal sinalizou um alerta para a possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros. O risco decorre da escalada dos preços do diesel, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.
Em paralelo, a Petrobras (PETR4) cancelou leilões de diesel e gasolina que estavam previstos para segunda e terça-feira.
A petroleira observa pressão diante da disparada dos preços do petróleo no exterior. “A Petrobras está avaliando os cenários e informará atualizações em momento oportuno”, afirmou a companhia, sem detalhar o motivo do cancelamento.
Nesta quarta-feira (18), por volta das 16h15 (horário de Brasília), os papéis PETR4 operavam em alta de 1,25%, cotados a R$ 46,96, enquanto as ações PETR3 avançavam 1,87%, a R$ 51,68.

Alta no preço do petróleo
Com o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, elevando o preço do petróleo, a cotação média do diesel S-10 já acumula alta de cerca de 19% nos postos do Brasil.
Além disso, a Petrobras aumentou em mais de 11% o preço médio do diesel em seus pontos de venda às distribuidoras na última semana, embora os valores ainda apresentem defasagem em relação aos preços de importação.
Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, o ajuste poderia não afetar o consumidor final, uma vez que ocorreu após o governo lançar um programa de subvenção ao diesel, além de anunciar a redução de tributos federais sobre o combustível.
No entanto, nos leilões, a companhia pode cobrar preços acima da média nacional, dependendo do apetite do mercado, já que os valores são definidos por lances.
Na semana passada, a Petrobras já havia vendido em leilão 20 milhões de litros de diesel no Rio Grande do Sul, com preços que chegaram a subir R$ 1,78 por litro em relação ao valor de venda da estatal no estado.
A operação ocorreu um dia antes do anúncio de reajuste do preço médio às distribuidoras, de R$ 0,38 por litro.
Greve dos caminhoneiros
Diante da alta do diesel, caminhoneiros realizaram protestos em diferentes regiões do país. A mobilização ganhou força nesta segunda-feira (16), após uma reunião realizada em Santos (SP).
Nesta terça-feira, lideranças da categoria passaram a defender uma paralisação nacional, com entidades buscando adesão para que motoristas cruzem os braços ainda nesta semana.
Até o momento, as negociações seguem em curso entre sindicatos, associações e cooperativas, com o objetivo de coordenar ações simultâneas em diferentes portos do país.
Entre as principais reivindicações estão o reforço na fiscalização dos preços dos combustíveis, o cumprimento do piso mínimo do frete e garantias no pagamento do vale-pedágio.
Negociação com o governo
Apesar das preocupações, a avaliação no Palácio do Planalto é de que o cenário ainda é controlável, com espaço para conter o avanço do movimento. O governo aposta em medidas para coibir reajustes considerados abusivos e reduzir a pressão sobre o diesel.
Assim, foram acionados a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Polícia Federal e os Procons estaduais, que iniciaram uma operação em nove estados e no Distrito Federal para coletar preços em postos e investigar possíveis repasses indevidos.
A decisão tem como base as novas regras da Medida Provisória 1.340, que prevê multas de até R$ 500 milhões para aumentos abusivos de preços, podendo ser aplicadas inclusive a fornecedores que se recusarem a vender combustível sem justificativa.
Com isso, o governo estima que o impacto do reajuste do diesel promovido pela Petrobras possa ser neutralizado. Assim, aumentos recentes nos postos vêm sendo classificados como especulativos e, portanto, sujeitos à fiscalização e punição.
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