Diante das incertezas em torno da taxa básica de juros (Selic), o mercado de fundos imobiliários ainda não mostra uma tendência definida em outubro, após a sequência de recordes registrada em setembro.
O Índice de Fundos de Investimento Imobiliário (Ifix) encerrou a segunda-feira (20) com queda acumulada de 0,61%, registrando o pior resultado do mês desde a máxima histórica alcançada em 30 de setembro.
Os especialistas afirmam que o mercado de FIIs aguarda sinais mais claros sobre o ritmo de corte da Selic para retomar uma direção mais firme. Atualmente, a taxa se mantém em 15% ao ano, o maior nível desde 2006, e o consenso indica que os cortes devem começar apenas a partir de março de 2026.
O clima, contudo, é de cautela. A queda da Medida Provisória 1.303, que visava aumentar a arrecadação federal, elevou o temor de crise fiscal em 2026. Ao mesmo tempo, componentes da inflação seguem resistentes, o que pode prolongar o ciclo de juros altos.
Simulação sobre fundos
O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, fez uma simulação avaliando os efeitos da tributação e da inflação sobre a rentabilidade da renda fixa. Investimentos com prazo de até 180 dias têm tributação de 22,5%, já entre 180 a 360 dias, o valor do imposto cai para 20%.
Essa aliquota é aplicada diretamente no momento de resgate, ou pode ocorrer de forma antecipada em algumas modalidades, o chamado “come-cotas”, cobrado duas vezes ao ano.
Os resultados de Sung para os próximos 12 meses destacam que, a Selic deve se manter em 15% até março, caindo gradualmente até 12,5% em setembro de 2026. Considerando uma inflação de 4,5% ao ano, o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) líquido médio esperado é de 0,65% ao mês para os próximos 12 meses.
“É uma simulação, a partir de projeções que temos para os próximos meses, claro que os valores são exatos. Mas a mensagem que temos aqui é que muitos fundos imobiliários tendem a pagar muito mais do que isso”, afirmou.
Além disso, o economista ressalta que os fundos de papel tendem a repassar a inflação diretamente aos dividendos, enquanto os fundos de tijolo atualizam seus aluguéis anualmente de acordo com os índices inflacionários, o que também protege o investidor da alta dos preços.











