Em meio aos conflitos no Oriente Médio, com a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, as ações dos frigoríficos brasileiros fecharam em queda nesta quinta-feira (09). Segundo executivos da BRF (MBRF3), Minerva Foods (BEEF3) e JBS (JBSS32), o impacto é decorrente da pressão logística e do aumento de custos.
No fechamento, todas as companhias registraram baixa nos papéis. A JBS (JBSS32) recuou 0,26%, a R$ 92,51, enquanto a MBRF3 caiu 1,92%, cotada a R$ 19,43. Já as ações da Minerva (BEEF3) apresentaram queda de 0,71%, a R$ 4,21.
Para os executivos, mesmo com os desafios logísticos e a elevação do frete, o cenário tem sido absorvido pelo mercado, sustentado pela demanda firme por alimentos, especialmente em regiões com maior dependência de importação.
Além disso, fatores específicos das companhias e dos mercados em que atuam seguem tendo maior influência nos preços do que o próprio conflito no Oriente Médio, região que responde por cerca de 30% das exportações de carne do Brasil.

Impacto para o MBRF
Entre os frigoríficos, o maior impacto tende a ser observado na MBRF, devido à sua forte presença no mercado de frango no Oriente Médio, especialmente no segmento halal, que segue os preceitos islâmicos.
Atualmente, a companhia possui três unidades de processamento na região, responsáveis por cerca de 7% da receita global. No entanto, o CEO Miguel Gularte destacou que os impactos operacionais foram mitigados por planejamento prévio.
Segundo ele, estoques já haviam sido posicionados estrategicamente no Oriente Médio e na Ásia desde 2024, inicialmente como resposta a questões sanitárias, como a doença de Newcastle e a gripe aviária, o que acabou funcionando como proteção adicional no cenário atual.
Com isso, a empresa conseguiu repassar custos aos clientes. “Os custos foram compartilhados de forma transparente, sem resistência, em um ambiente de demanda aquecida”, afirmou.
Cenário para Minerva e JBS
De acordo com Fernando Queiroz, a exposição direta da Minerva Foods à região em conflito é limitada, inferior a 10% das vendas, o que reduz o impacto imediato.
Ainda assim, houve aumento de custos e necessidade de ajustes logísticos, com redirecionamento de rotas. No médio prazo, o executivo destacou um efeito estrutural relevante: o reforço da segurança alimentar como prioridade global.
“Países estão mais preocupados em garantir abastecimento, o que fortalece as relações com regiões exportadoras como a América do Sul”, afirmou.
Já para Gilberto Tomazoni, da JBS, o impacto também tende a ser pontual. Segundo ele, as operações seguem normalmente, com demanda aquecida, inclusive acima da oferta em alguns mercados.
Atualmente, a companhia atua na região por meio de diferentes geografias, incluindo Brasil, Estados Unidos, Europa, Canadá e Austrália, o que contribui para a diversificação operacional.
Principal risco para os frigoríficos
Apesar da escalada dos conflitos no Oriente Médio, os executivos avaliam que esse não é o principal fator de risco para o setor de proteínas. Entre os pontos de maior impacto está a salvaguarda imposta pela China sobre a carne bovina, com estabelecimento de cotas de importação.
Até o momento, o Brasil já exportou mais de 33% da cota de 2026, e a expectativa é que o limite seja atingido até julho, o que pode levar à aplicação de uma tarifa de 55% sobre o excedente.
Além disso, questões sanitárias, como a influenza aviária, seguem pressionando o setor. Segundo Fernando Iglesias, o impacto dessas variáveis já foi significativo recentemente.
“O Brasil sofreu muito com a exportação de carne de frango em 2025, em função da influenza aviária e, quando olhamos para a carne bovina, o grande evento do ano é essa imposição de salvaguardas da China para proteger o produtor local”, disse ele.
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