Os FIIs do segmento de energia devem ser a próxima grande aposta dos cotistas. Com base no primeiro trimestre de 2025 (1T25), esses fundos vem ganhando espaço no radar de investidores, devido a alta eficiência tributária com distribuição mensal de dividendos, que tem os tornado mais atrativos.
Os dados do período apontam uma diferença entre as cargas tributárias enfrentadas por companhias desse setor com grandes alíquotas, como Auren (AURE3) apresentando 79%, seguida por Eneva (ENEV3) com 35% e Engie (EGIE3) com 25%.
Em contraponto, fundos imobiliários do estruturados dentro do arcabouço tem a alíquota efetiva zerada, a falta de semelhança é justificada pelo desenho legal dos FIIs no país, regulamentado pela Lei nº 8.668/93 e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Quando negociados em Bolsa e com número mínimo de 100 cotistas, esses veículos podem utilizar da isenção de imposto de renda para pessoa física sobre a distribuição de dividendos.
Dessa forma, a lei criada para beneficiar os fundos imobiliários, acaba impulsionando ativos de geração de energia com contratos de longo prazo.
Recuperação dos FIIs de energia em 2024
Os resultados do 1T25 vem logo após um recuperação vista no final do ano passado, quando o setor energético se sobressaiu do pior ano para o segmento desde 2020, quando apresentou perda de 10,24%.
Depois de acumular um desempenho negativo maior que 13%, os fundos imobiliários com foco em energia suavizaram o declínio e fecharam 2024 com baixa de 5,8%. A recuperação surgiu como um alívio para os investidores.
Entre os destaques, o SNEL11 da Suno Asset registrou uma das maiores altas do ano, com ganhos acima de 24%. Esse ano o desempenho positivo do fundo se repete, com investimentos em usinas fotovoltaicas e entrega de retorno estável e recorrente.
Na semana passada o FII chegou distribuir R$ 0,10 por cota, com dividend yield (rendimento de dividendo) anualizado de 14,74%. O SNELL11 também conta com patrimônio líquido de R$ 311 milhões e mais de 30 mil investidores.
“O investidor começa a perceber que, em vez de comprar ações de uma empresa geradora com elevada carga tributária, pode acessar ativos similares com isenção, governança simplificada e distribuição mensal. É uma mudança estrutural de paradigma”, afirma um especialista da área ao dizer que a migração de capital para fundos de energia ainda está no início.
Em meio a um cenário de reforma tributária avançando e a pauta ESG — conjunto de práticas adotadas por empresas que buscam alinhar suas operações com critérios de sustentabilidade e responsabilidade social — ganhando relevância, é esperado que fundos com infraestrutura limpa e alta eficiência fiscal consigam ainda mais espaço.






