O Ibovespa (Ibov) perdeu mais de 1.100 pontos nesta quarta-feira (15), após o chefe do Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), Jamieson Greer, informar a interlocutores do governo brasileiro que encaminhou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a recomendação final para um novo tarifaço sobre produtos brasileiros.
Diante desse cenário, o principal índice da Bolsa brasileira (B3) operava em queda ao longo da sessão. Por volta das 14h25 (horário de Brasília), o Ibovespa recuava 0,65%, aos 175.486 pontos.
Segundo a CNN Brasil, com base em relatos de interlocutores, o USTR sinalizou uma ampliação da lista de exceções no novo pacote tarifário. A última reunião entre representantes dos dois países foi encerrada nesta terça-feira (14), ocasião em que Greer reclamou da falta de empenho do Brasil nas negociações.

Reunião entre EUA e Brasil
Durante o encontro, os argumentos de Greer foram prontamente contestados por autoridades brasileiras, entre elas o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, além dos embaixadores Mauricio Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.
Segundo a CNN, o governo brasileiro argumentou que os Estados Unidos não apresentaram fundamentos técnicos suficientes para sustentar a investigação conduzida com base na Seção 301, citando, por exemplo, o aumento do desmatamento no Brasil, argumento contestado por dados recentes sobre a Amazônia.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que não recebeu comunicação oficial sobre a decisão do USTR e ressaltou que o portal do órgão americano também não traz atualizações sobre o caso.
Ainda assim, Greer afirmou ter “tomado nota” dos argumentos apresentados pelo setor privado e pelo governo brasileiro a favor da ampliação da lista de exceções antes da divulgação oficial do tarifaço.
Lista de exceções
Durante as negociações, os representantes brasileiros propuseram reduzir as tarifas de importação sobre o etanol em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado americano. No entanto, o USTR rejeitou a proposta e afirmou que não haverá uma “lista dinâmica” de exceções às novas tarifas.
Dessa forma, diferentemente do que ocorreu em 2025, quando produtos como café e carne bovina passaram a integrar gradualmente a lista de itens isentos durante as negociações, a nova rodada de tarifas não deverá prever a inclusão progressiva de produtos beneficiados.
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