Em meio ao cenário de desemprego em baixa e inflação controlada, o mercado financeiro ainda enfrenta um desafio central na economia para 2026, o risco fiscal. A avaliação é do economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida.
Almeida classifica o fator como “o maior calcanhar de Aquiles”, ou seja, o maior ponto fraco do momento, que pode definir se o país seguirá rumo a uma recuperação sustentada ou se voltará a um ambiente de juros elevados e maior incerteza em 2027.
Economia em 2026: Crescimento lento
Durante painel no evento promovido pelo portal Seu Dinheiro, Mansueto traçou um cenário cautelosamente otimista para a economia brasileira em 2026, ano marcado por eleições presidenciais, Copa do Mundo e início de um ciclo de corte de juros.
De acordo com o economista, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer entre 1,8% e 2% em 2026, abaixo dos 2,2% estimados para 2025 e bem distante dos ritmos superiores a 3% observados no período pós-pandemia.
Apesar disso, ele avalia que a economia “vai crescer, mas de forma desigual” entre os setores. Segmentos mais sensíveis ao crédito devem sentir mais os efeitos dos juros ainda elevados, enquanto o consumo das famílias deve avançar entre 1,5% e 2%, sustentado por salários reais em alta e massa salarial elevada.
No mercado de trabalho, Mansueto projeta uma leve alta do desemprego para cerca de 6% ao final do atual mandato, ainda em um nível considerado historicamente baixo.
“O Brasil precisa gerar cerca de 900 mil vagas por ano para crescer 2%, o que não é difícil”, destacou. No entanto, o economista chamou atenção para a escassez de mão de obra qualificada, especialmente em infraestrutura, onde o déficit é estimado em 75 mil engenheiros.
Em relação à inflação, a projeção é de que o índice encerre 2026 em torno de 4%, após a surpresa positiva registrada em 2025, quando fechou em 4,26%. A média do governo atual, segundo Mansueto, deve ficar em 4,4%.
Para Almeida, fatores como a apreciação do real ao longo de 2025 e a política monetária restritiva contribuíram para conter pressões inflacionárias, embora a inflação de serviços ainda permaneça elevada, próxima de 6%.
Ciclo de corte deve começar em breve
Para o curto prazo, Mansueto avalia que o Banco Central (BC) deve iniciar o ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic) em breve, possivelmente com uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) já em janeiro, ou mais provavelmente em março.
A estimativa do mercado aponta para uma queda total entre 200 e 300 pontos-base ao longo de 2026, levando a Selic para cerca de 12% ao final do ano.
Segundo o economista, o cenário segue favorável para investimentos em renda fixa, já que o Brasil ainda oferece uma das maiores taxas reais do mundo, o que limita investimentos produtivos e um crescimento mais robusto do PIB.
“É o segundo ano consecutivo de Selic elevada, o que continua atrativo para renda fixa”, afirmou. Ele recomenda cautela aos investidores, mas destaca que pode haver surpresas positivas caso o debate político avance em direção a maior disciplina fiscal.
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