O dólar opera em queda em relação ao real nesta quarta-feira (5), com o mercado atento à decisão sobre os juros no Brasil, além de dados da atividade econômica e à paralisação da máquina pública norte-americana.
Às 17h10 (horário de Brasília), o dólar à vista registrava queda de 0,68%, cotado a R$ 5,3606. Durante a manhã, a moeda chegou a atingir R$ 5,40 após a divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos.
O movimento reflete o cenário externo, acompanhando o Índice do Dólar Americano (DXY), que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, como euro e libra e que operava com leve baixa de 0,04%, aos 100,188 pontos.
Baixa do dólar frente ao real
Com a expectativa do mercado em torno da decisão de política monetária no Brasil, que será divulgada após o fechamento do mercado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o câmbio doméstico acabou sendo beneficiado pela perspectiva de diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos.
A decisão será divulgada após o fechamento do mercado. O Copom deve manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano. “A decisão é amplamente esperada, mas o foco recai sobre o comunicado que acompanhará o anúncio, já que analistas aguardam possíveis sinais de início do ciclo de queda dos juros”, declarou o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini.
“A expectativa é de que o Banco Central (BC) ajuste as expressões utilizadas nos últimos comunicados no sentido de abrir espaço para maior flexibilidade da politica monetária nas próximas reuniões”, complementou Shanini.
Apetite ao risco global
No cenário internacional, observa-se um movimento global de maior apetite ao risco, impulsionado pelos resultados do mercado de trabalho privado dos EUA, que vieram acima das projeções dos analistas, segundo o especialista em alocação e inteligência da Avenue, Bruno Yamashita.
De acordo com o relatório ADP, o setor privado norte-americano criou 42 mil vagas de emprego em outubro, superando a expectativa de 30 mil e revertendo a perda de 29 mil postos registrada no mês anterior.
“Isso trouxe um alívio em relação à potencial desaceleração do mercado de trabalho americano como um todo”, disse o especialista. Na prática, o resultado acima do esperado reduziu a expectativa de manutenção de juros elevados por um período prolongado.
Enquanto isso, a paralisação da máquina pública dos Estados Unidos chegou ao 36º dia consecutivo, tornando-se a mais longa da história do país.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os republicanos devem acabar com o filibuster, regra que permite à minoria atrasar ou bloquear votações no Senado, para garantir que o partido possa continuar a aprovar sua agenda legislativa.
Além disso, o alívio nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China também aumentou o apetite ao risco, contribuindo para a queda do dólar.











