O dólar à vista (USDBRL) fechou em queda novamente nesta sexta-feira (17), em meio ao alívio nas tensões no Oriente Médio, após o cessar-fogo temporário entre Israel e Líbano e a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã.
Com isso, o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 4,9833, com baixa de 0,19%. Durante a sessão, a moeda norte-americana chegou a atingir R$ 4,9508, recuando 0,84% e marcando o menor valor em mais de dois anos.
No exterior, por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, que compara o dólar a uma cesta de moedas globais, operava em queda de 0,3%, aos 98,182 pontos.

Cessar-fogo no Oriente Médio
Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio têm caminhado para uma possível estabilização. Nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã anunciou a liberação total da passagem de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz durante o período restante do cessar-fogo no Líbano.
A trégua, no entanto, deve durar apenas 10 dias, conforme o acordo firmado entre os dois países nesta quinta-feira (16).
Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã concordou em “nunca mais” fechar o estreito, que havia sido bloqueado desde o início do conflito.
Atualmente, cerca de um quinto do consumo global de petróleo passa pela região, o que reforça a importância estratégica do local para o mercado, que conecta grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar, aos mercados da Ásia.
Diante desse cenário, o mercado também passou a projetar um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o que elevou o otimismo dos investidores.
Assim, houve uma revisão nas apostas para a trajetória de juros nos EUA, com parte do mercado já precificando um possível corte pelo Federal Reserve (Fed, equivalente ao Banco Central do EUA) ainda em dezembro.
Em paralelo, o movimento do dólar no Brasil foi amplificado pelo diferencial elevado de juros, que segue sustentando o carry trade e atraindo fluxo externo.
Queda do dólar deve continuar
Para o especialista da StoneX, Lucca Bezzon, o real já acumula uma forte valorização frente ao dólar, com o câmbio saindo de R$ 5,50 para R$ 4,99 em menos de quatro meses.
Segundo ele, esse movimento já vinha sendo observado desde 2025, impulsionado pela busca por diversificação global e pela redução da confiança na moeda norte-americana.
“Moedas como o peso mexicano e o real ganharam bastante atração de divisas vindo do exterior, com o fluxo de investimento estrangeiro batendo recordes na B3 e a taxa de juros elevada também favorecendo a moeda brasileira neste contexto”, explicou Bezzon.
Embora o cenário geopolítico ainda exija atenção, o especialista destaca que o aumento do apetite ao risco tem contribuído para a queda do dólar.
“O que temos visto é que o ceticismo em relação ao dólar está associado às políticas comercial e econômica do presidente dos EUA, Donald Trump“, afirmou.
“Quando começou o conflito no Irã, o dólar se valorizou porque, diante de toda essa desconfiança, ele é considero o principal porto seguro, uma vez que os investidores conseguem comprar outros ativos com a moeda norte-americana em mãos.”
Por fim, Bezzon projeta que o dólar pode encontrar um piso próximo de R$ 4,90 no curto prazo, salvo novos eventos que tragam volatilidade ao mercado.
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