Seguindo uma sequência de perdas nos últimos dias, o dólar à vista atingiu R$ 5,00 pela primeira vez desde 2024 nesta sexta-feira (10). O desempenho acompanha o recuo da moeda norte-americana frente a outras divisas de países emergentes no exterior.
Por volta das 16h25 (horário de Brasília), o dólar à vista atingiu R$ 5,0050, com queda de 1,03%. O valor corresponde ao menor nível desde 9 de abril de 2024, quando estava em R$ 5,0067.
Além disso, desde janeiro, a moeda norte-americana acumula desvalorização de 8% em relação ao real.
No exterior, com os investidores globais voltando a demonstrar otimismo em relação ao cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, opera na casa dos 98 pontos, após superar os 100 pontos na última terça-feira (7).

O que afeta o dólar?
Segundo o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, a queda do dólar ocorre por três fatores. A saída de capital dos Estados Unidos, tensões geopolíticas e diferencial de juros no Brasil.
Para Alves, o enfraquecimento da moeda está ligado, inicialmente, às políticas adotadas pelo governo de Donald Trump, que geram instabilidade nos mercados, como o chamado “tarifaço”.
“Havia um valuation relativamente esticado [nos mercados] nos Estados Unidos e investidores, alocadores optam por começar a reduzir sua exposição aos Estados Unidos, mas que ainda é majoritária em portfólios”, escreveu ele.
A alocação nos EUA caiu de 65% para 60%, com fluxo direcionado para Europa, Japão e também para o Brasil.
Além disso, o estrategista destaca que o Brasil tem se saído relativamente bem entre emergentes, especialmente por ser produtor de petróleo, o que favorece a atividade econômica e a balança comercial em cenários de preços mais elevados da commodity.
Inflação no Brasil
Segundo o economista do C6 Bank, Claudio Moreno, as restrições na produção de petróleo e outros insumos já começaram a pressionar a inflação brasileira, impactando as expectativas para a taxa básica de juros (Selic).
“Por isso, esperamos um corte mais moderado na próxima reunião, no final do mês: 0,25 ponto percentual, levando os juros para 14,5%“, afirmou Moreno. Atualmente, a taxa básica está em 14,75% ao ano, nível considerado atrativo por Alves.
No entanto, o estrategista ressalta que as eleições e o cenário fiscal seguem como riscos de alta para o dólar no curto prazo.
Além disso, em março, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,88% no mês e 4,14% em 12 meses, acima das expectativas do mercado, que projetava avanço de 0,77% no mês e 4% no acumulado anual.
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