O dólar perdeu força frente ao real nesta terça-feira (05) e voltou a renovar mínimas, atingindo o menor patamar em dois anos, em meio a divulgação da ata do Copom e à manutenção do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
No fechamento da sessão, o dólar à vista (USDBRL) caiu 1,12%, encerrando o dia a R$ 4,9119, o que corresponde ao menor nível desde janeiro de 2024.
No exterior, por outro lado, o movimento foi diferente. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, que mede a força da moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas, como euro e libra, avançava 0,26%, aos 98,414 pontos.

Alívio externo pressiona o dólar
O mercado adotou um tom mais cauteloso na tarde desta terça-feira, após o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmar que o cessar-fogo com o Irã segue válido, reduzindo o risco de escalada militar na região, principalmente no Estreito de Ormuz.
No entanto, os investidores permanecem atentos aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Apesar do alívio momentâneo, as tensões seguem elevadas, e novos episódios podem voltar a pressionar o mercado.
Segundo Hegseth, os EUA conseguiram garantir um corredor na hidrovia, com centenas de navios comerciais em fila para atravessar a região, enquanto Washington tenta reduzir o bloqueio exercido pelo Irã desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã quer negociar um acordo, mas evitou detalhar o que caracterizaria uma violação do cessar-fogo.
“Você vai descobrir, porque eu vou te informar…Eles sabem o que não fazer”, disse Trump no Salão Oval a repórteres, negando que o Irã tenha disparado contra navios que estavam sob a proteção dos EUA.
Mercado observa ata do Copom
No Brasil, os investidores repercutiram a ata do Comitê de Política Monetária, na qual o Banco Central (BC) avaliou que a continuidade do conflito aumenta o risco de impactos mais persistentes na economia global.
Ademais, o documento também aponta que os efeitos geopolíticos já podem ter sido suficientes para pressionar a inflação, especialmente nas expectativas de mercado.
De acordo com a ata, houve piora nos dados recentes de inflação, que vieram acima do esperado, com “sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos”. Ainda assim, o BC destacou que “eventos recentes não impediriam o prosseguimento” do ciclo de calibração da taxa básica de juros.
Em relação à extensão do ciclo de afrouxamento monetário, o documento reforça que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como o atual, é necessária uma política monetária mais restritiva por mais tempo.
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