Os Correios divulgaram nesta quinta-feira (23) seus dados anuais de 2025, revelando um prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões, mais que o triplo do resultado negativo registrado em 2024, de R$ 2,6 bilhões.
Com isso, a estatal acumula 14 trimestres consecutivos de prejuízo, sequência iniciada no quarto trimestre de 2022 (4T22), consolidando mais de três anos seguidos de resultados negativos.
Pressão sobre os resultados
De acordo com o relatório, o desempenho negativo foi impactado principalmente pelo pagamento de precatórios decorrentes de decisões judiciais definitivas, que somaram cerca de R$ 6,4 bilhões no período.

Além do peso relevante no resultado, esse montante representa um crescimento de 55,12% em relação a 2024, ampliando ainda mais a pressão sobre as contas da companhia.
Em paralelo, a receita bruta dos Correios totalizou R$ 17,3 bilhões em 2025, registrando uma queda anual de 11,35%, o que reforça o cenário de deterioração operacional.
Empréstimo bilionário
Diante das dificuldades, a estatal recorreu a um empréstimo de R$ 12 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, contratado no final de 2025.
A maior parte dos recursos foi liberada ainda em dezembro, com o objetivo de cobrir despesas emergenciais, o que acabou impactando negativamente o resultado financeiro no curto prazo.
O financiamento contou com um consórcio formado por grandes bancos, incluindo Itaú, Bradesco, Santander Brasil, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Segundo o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, Banco do Brasil, Caixa e Bradesco contribuíram com R$ 3 bilhões cada, enquanto Itaú e Santander aportaram R$ 1,5 bilhão cada.
Plano de demissão dos Correios
Além das medidas financeiras, os Correios também avançaram com um Plano de Demissão Voluntária (PDV) como parte da estratégia de ajuste de custos.
Segundo os Correios, entre 3 de fevereiro e 7 de abril de 2026, 3.181 funcionários aderiram ao programa, gerando uma economia estimada de cerca de 40% nas despesas com pessoal.
No impacto imediato, a redução de custos foi de R$ 147,1 milhões em 2025, com expectativa de economia adicional de R$ 775,7 milhões ao longo de 2026.
Apesar das iniciativas, o cenário ainda exige atenção. A combinação de queda de receita, despesas elevadas e passivos judiciais mantém a estatal sob pressão, indicando que a recuperação financeira dependerá de ajustes mais amplos ao longo dos próximos períodos.
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