A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reforçou a sinalização de que o ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 15% ao ano, deve ter início na reunião de março, marcada para os dias 17 e 18.
Apesar de não indicar a magnitude do corte, o documento foi suficiente para provocar uma reprecificação dos ativos de renda fixa.
Nesta terça-feira (03), a curva de juros futuros brasileira operou em queda em relação ao fechamento da véspera (02), refletindo o aumento das apostas em um afrouxamento monetário já no próximo encontro do Comitê.
Além disso, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) recuaram cerca de 7 pontos-base, movimento associado à maior probabilidade atribuída pelo mercado a um corte de 0,50 ponto percentual (p.p.) na Selic em março.
Na Bolsa brasileira (B3), as opções de Copom indicavam, na última sexta-feira (30), 50% de probabilidade de redução de 50 pontos-base, 34% de chance de corte de 25 pontos-base e 7% de possibilidade de um ajuste mais intenso, de 75 pontos-base.
Previsão para a Selic
De acordo com analistas da Warren Investimentos, o cenário mais provável é que o primeiro corte seja de 50 pontos-base, levando a Selic para 14,50% ao ano.
“Na ausência dessa sinalização, a precificação da curva de juros tenderia a apontar para um ritmo de cortes muito mais acelerado do que aquele que o Copom está disposto a entregar neste momento”, destacaram os analistas.
O Santander Brasil compartilha dessa leitura. Para o head de política monetária do banco, Marco Caruso, um corte de 50 pontos-base costuma representar, historicamente, um movimento inicial de calibragem da política monetária.
“É uma ata que levou em consideração que o mercado está confortável com a precificação de um corte de 50 pontos-base. Está pendendo mais para um corte de 50 do que para um de 25 pontos”, declarou Caruso.
Últimas decisões do Copom
Na reunião mais recente, o Copom optou por manter a Selic no patamar atual, decisão já amplamente esperada pelo mercado e tomada de forma unânime. O nível atual representa a quinta reunião consecutiva com a taxa no menor patamar desde meados de 2006.
Ademais, para os próximos passos, o Comitê destacou que, caso o cenário esperado se confirme, deverá iniciar a flexibilização da política monetária na próxima reunião, sem abrir mão do compromisso com o controle inflacionário.
“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz a ata.
“O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante”, complementaram.
Por fim, a expectativa de queda dos juros tende a impactar diretamente ativos de renda fixa e fundos imobiliários. As carteiras recomendadas da Orion Research acompanham de perto os movimentos do Copom e ajudam investidores a se posicionarem de forma estratégica diante de mudanças. Veja aqui!













