Embora a Copa do Mundo 2026 ainda não tenha começado, o varejo brasileiro já deve sentir os efeitos do evento nos próximos dias. Ao menos é o que aponta relatório divulgado pelo BTG Pactual neste domingo (17). O documento inclui dados da Scanntech e destaca que o futebol mobiliza 95% dos brasileiros.
Com isso, o BTG avalia que o evento deve impulsionar o comportamento do consumidor, com efeitos para diversos segmentos, principalmente o varejo, antes mesmo do início dos jogos.

“Efeito Copa Do Mundo”
De acordo com os analistas do BTG Pactual, o pico de consumo estará concentrado nas horas que antecedem o Mundial, justamente por conta da conexão emocional que gera padrões previsíveis de consumo atrelados aos dias dos jogos.
O banco destaca que a Copa do Mundo pode elevar em cerca de 4,7% o consumo no varejo em relação aos períodos normais. Além disso, aponta que o futebol segue sendo um fenômeno de massa no Brasil, com forte capacidade de alterar hábitos de compra.
“Quando o país para, os padrões de consumo mudam”, destacam os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.
Em contraste com 2022, ano do último Mundial, o cenário macroeconômico de 2026 apresenta inflação mais baixa, estimada em cerca de 4,1%, ante 5,8% na edição anterior. Por outro lado, o ambiente atual conta com juros mais elevados e maior nível de incerteza global.
“Apesar das condições financeiras mais restritivas, o estudo sugere que o aumento da renda real e a dinâmica do consumo em casa (65% planejam assistir aos jogos de casa) devem impulsionar a atividade do varejo”, afirmaram os analistas.
Novo formato eleva consumo no varejo
Para o BTG Pactual, um dos fatores que devem ampliar o impacto da edição de 2026 será o novo formato do torneio, que contará com 48 seleções, 104 partidas e duração de 39 dias. Assim, aumenta a frequência dos momentos de consumo e amplia estruturalmente as oportunidades de demanda.
“A mudança para mais jogos noturnos (43% entre 19h e 23h) também favorece encontros em casa, reforçando categorias ligadas ao consumo social. No geral, embora os riscos macroeconômicos persistam — particularmente devido à volatilidade geopolítica —, a combinação de maior duração do evento e melhoria da renda real cria um cenário líquido positivo para o consumo”, escreveram.
Segundo a pesquisa da Scanntech, haverá incremento de 6,7% no fluxo de clientes nas lojas no dia anterior aos jogos, considerado o ponto mais alto do ciclo, à medida que os consumidores se antecipam para evitar compras durante as partidas.
“Esse comportamento antecipatório é ainda mais pronunciado na dinâmica de ingressos, com as transações aumentando 19,1% nas duas horas que antecedem o início da partida e caindo 15,4% durante o jogo, confirmando uma forte concentração temporal da demanda. Em grandes torneios como a Copa do Mundo, esse efeito se intensifica significativamente (por exemplo, 69,2% antes do jogo, 61,3% durante a partida)”, destacaram os analistas.
Além disso, o valor médio das compras em categorias relevantes aumenta cerca de 24% no primeiro dia de jogo, acompanhado por maior penetração das categorias e ampliação do mix de produtos.
Avaliação do BTG Pactual
Nos jogos realizados aos fins de semana, o BTG vê um impacto ainda maior para o varejo, com incrementos de até 18,8% no fluxo de clientes no dia anterior, já que as compras se alinham aos ciclos naturais de reposição do período.
“Em contrapartida, jogos durante a semana diluem o impacto, pois as rotinas de trabalho restringem os momentos de consumo. O calendário de 2026 é particularmente favorável, com jogos importantes posicionados para maximizar os picos de fluxo de clientes, incluindo o jogo de abertura, que acontece em um sábado”, escreveu o banco.
Em soma, o estudo aponta que 65% dos brasileiros pretendem assistir aos jogos em casa, reforçando a expectativa positiva para supermercados, bebidas e categorias ligadas à conveniência e socialização.
Além do varejo tradicional, investidores também acompanham possíveis reflexos positivos para empresas listadas ligadas ao consumo, bebidas e alimentação.
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