Com a Operação Compliance Zero avançando e. após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na última segunda-feira (17), seis fundos imobiliários passaram a ser investigados pela Polícia Federal.
As apurações apontam possível participação em um esquema que teria sido montado para dar liquidez artificial a ativos do banco, negociados por valores muito abaixo dos praticados no mercado.
Segundo as investigações, os FIIs que aparecem no radar da PF são o FII Firenze, Mirante das Águas, São Domingos (FISD11), Monte Carlo, Singapore e Brasil Realty (BZLI11).
Juntos, eles teriam adquirido imóveis que compõem parte da estimativa de fraude que envolve aproximadamente R$ 12 bilhões em “ativos podres”, mascarados nas demonstrações financeiras do Banco Master, de acordo com informações da Folha de São Paulo.
Banco Master e Brasil Realty
No caso do BZLI11, gerido pela Iron Capital, antes mesmo da operação da PF, o fundo já enfrentava um processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por supostas operações fraudulentas associadas a Vorcaro e ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos.
A CVM afirma que o BZLI11 teria sido usado para dar liquidez no mercado secundário a negócios que prejudicaram investidores, enquanto empresas ligadas aos executivos teriam obtido vantagens financeiras.
Entre os episódios investigados, está a sobreavaliação de R$ 56 milhões de um imóvel em 2018, período em que o antigo Banco Máxima estava em transição para se tornar o Banco Master, após ser adquirido por Vorcaro. O laudo que embasou essa avaliação sequer possuía identificação ou assinatura do responsável, o que aumentou ainda mais o nível de suspeita.
Por outro lado, documentos do processo mostram que outros imóveis semelhantes eram avaliados entre R$ 3.176 e R$ 3.972 por metro quadrado, sem qualquer explicação técnica que justificasse a diferença para o ativo adquirido pelo Brazil Realty.
Embora a CVM tenha identificado que o Banco Master aportou R$ 17,8 milhões em espécie no fundo, quatro subscrições simplesmente não aparecem no extrato bancário analisado.
Até o momento, o Banco Master não se manifestou sobre a operação, mantendo o caso ainda mais envolto em incertezas.
Em contato com a Orion Research, a assessoria jurídica de Antônio Carlos Freixo Júnior afirmou que tanto o empresário quanto a Entre Investimentos “nunca participaram de qualquer integralização das cotas do fundo em questão”.
“Em relação ao Termo de Compromisso proposto, não implica assunção de culpa pelo proponente. Foi proposto na tentativa de encerrar um processo que por mais que ao final resultasse em uma absolvição sumária de Entre e Antonio, levaria tempo e acarretaria prejuízos de reputação para ambos”, concluiram.













